UCE: diretriz mundial estabelece o tratamento correto para o controle completo dos sintomas

05/04/2018

UCE: diretriz mundial estabelece o tratamento correto para o controle completo dos sintomas

Nada como avanço da medicina e das pesquisas para trazer novas perspectivas de qualidade de vida para os pacientes, não é mesmo? E no tratamento da UCE (Urticária Crônica Espontânea) não é diferente.

Recentemente, mais de 40 sociedades médicas do mundo todo se reuniram na Alemanha para revisar e atualizar o tratamento correto para quem tem UCE, publicando uma nova diretriz mundial de tratamento para a doença.1 A diretriz (ou guideline, em inglês) é feita com base nos estudos e comprovações científicas, avaliadas em consenso por especialistas de sociedades médicas de Alergia/Imunologia e Dermatologia do mundo inteiro – incluindo as brasileiras SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia), que participaram do consenso e endossaram o novo guideline.1 Também participaram todos os líderes dos centros de excelência em UCE com a certificação internacional UCARE (Urticaria Center of Reference and Excellence).1,2

O guideline é uma recomendação internacional de como médicos do mundo todo devem tratar seus pacientes com UCE.1 A diretriz estabelece que o objetivo do tratamento é o controle completo dos sinais e sintomas da UCE.1 Isto quer dizer que não basta melhorar dos sintomas da UCE: o paciente deve ficar totalmente livre das urticas, da coceira e dos inchaços (angioedemas).1

Para atingir o controle completo dos sinais e sintomas da UCE, a diretriz global determina que todos os pacientes com UCE devam iniciar o tratamento com anti-histamínicos de 2ª geração na dose aprovada em bula.1 Este passo é chamado de 1ª linha de tratamento1, como explica a Dra. Roberta Criado, médica alergista3 e líder de um UCARE brasileiro2, em entrevista para o site da Faculdade de Medicina do ABC.4

Após 2 a 4 semanas (ou antes, caso os sintomas sejam intoleráveis) de tratamento com a 1ª linha (ou antes, caso os sintomas sejam intoleráveis), o médico deve avaliar se o paciente atingiu o controle completo da UCE.1 Isto pode ser feito usando uma ferramenta objetiva e muito fácil de usar, chamada UAS7 (escore da atividade da urticária de 7 dias)1, já disponível para os pacientes em aplicativos para android e iOS. Um UAS7 igual ou menor a 6 indica o controle adequado da UCE.1 Caso o paciente com UCE tratado com a 1ª linha não atinja o controle completo dos sintomas, o médico deve avançar para a 2ª linha de tratamento.1 Isto ocorre com aproximadamente metade dos pacientes com UCE.5

Após 2 a 4 semanas de tratamento com a 2ª linha (ou antes, caso os sintomas sejam intoleráveis), o processo se repete: o médico deve avaliar se o paciente atingiu o controle completo da UCE.1 Se não chegou lá, deve-se avançar para a 3ª linha de tratamento.1

Após 6 meses de tratamento com a 3ª linha, o médico deve avaliar novamente se o paciente obteve o controle completo dos sintomas da UCE.1 Se sim, o paciente deve continuar o tratamento até que a UCE desapareça.1 Se, mesmo após 6 meses de tratamento com a 3ª linha, o paciente não chegar ao controle completo da UCE, o médico deve avançar para a 4ª linha.1

Antigamente, não restavam muitas alternativas aos pacientes com UCE que não respondiam a anti-histamínicos.5 Muitos desses pacientes precisavam recorrer ao uso contínuo de medicamentos conhecidos como corticoides (ex.: prednisolona, prednisona, entre outros).5 Hoje o cenário é diferente, como explica em sua fanpage o médico alergista Dr. Luis Felipe Ensina6, um dos autores do novo guideline e líder de dois UCAREs.2 Segundo ele, “o uso contínuo de corticoides não é recomendado em nenhuma das 4 linhas de tratamento”.1,7 De fato, há uma recomendação forte contra o uso contínuo dos corticoides na UCE.1

A boa notícia é que, com o esquema atualizado de tratamento, 92% dos pacientes com UCE (urticária crônica espontânea) conseguem chegar ao controle completo da doença, vivendo normalmente: sem urticas, sem coceira e sem inchaços.5


Referências

1. Zuberbier T, Aberer W, Asero R et al. The EAACI/GA²LEN/EDF/WAO Guideline for the Definition, Classification, Diagnosis and Management of Urticaria. The 2017 Revision and Update. Allergy. 2018 Jan 15.
2. http://www.ga2len-ucare.com/centers.html Acesso em 04 de abril de 2018.
3. Roberta Fachini Jardim Criado, CRM 67350.
4. Faculdade de Medicina do ABC. Entidades internacionais mudam tratamento contra urticária. Disponível em: http://www.abcdoabc.com.br/santo-andre/noticia/entidades-internacionais-mudam-tratamento-contra-urticaria-61998 Acesso em 04 de abril de 2018.
5. Kaplan AP. Therapy of chronic urticaria: a simple, modern approach. Ann Allergy Asthma Immunol. 2014 May;112(5):419-25.
6. Dr. Luis Felipe Ensina, Especialista em Alergia e Imunologia Clínica (RQE 25413 – CRM 86758).
7. Dr. Luis Felipe Ensina – Alergista. O tratamento atualizado da UCE. Disponível em: https://www.facebook.com/luisensinaalergia/posts/1818892784808971 Acesso em 04 de abril de 2018.