A urticária crônica e os relacionamentos afetivos

23/06/2017

A urticária crônica e os relacionamentos afetivos

Por Patrícia Sarruf
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Lembro como se fosse ontem, era o segundo aniversário do meu namorado que passávamos juntos, fomos a um barzinho com os amigos, foi tudo muito legal! Ele dormiu na minha casa naquela noite. Na manhã seguinte, fui acordá-lo e ele me olhou estranho e eu disse: “por favor, me leve ao hospital”!

Eu estava cheia de urticas e angioedemas, praticamente desfigurada, e já sentia minha garganta inchada. Chegamos ao hospital, me atenderam com emergência, e ainda bem que foi assim tão rápido, pois eu desmaiei na maca. As lesões avermelhadas, coceira, angioedema duraram mais de seis semanas seguidas sem que eu encontrasse qualquer fator desencadeante.

Minha mãe achou que depois desse dia meu namorado talvez pensasse em terminar nosso relacionamento, pois quem quer continuar junto com uma pessoa que não sabe como vai acordar no dia seguinte? Quem gosta de acompanhar uma romaria de consultas e exames médicos e continuar com uma pessoa doente? Talvez ele não gostaria de levar uma namorada toda manchada para sair com seus amigos. E nos momentos mais íntimos? Uma mulher cheia de manchas e bolas vermelhas não é nada bonita de se ver… Tem que ser forte para aguentar tudo isso!

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A urticária não atrapalha apenas nos romances…

Os parentes, os colegas de trabalho e de faculdade, todos tem uma opinião para dar! Todos dizem saber o que você tem e te dão uma receita mágica. E como toda paciência tem limite, chega uma hora que não aguentamos mais ouvir diagnósticos a esmo e acabamos nos distanciando das pessoas, ou fazendo com que elas se distanciem por termos sidos grossos ou por acharem que não acreditamos nelas.

Toda vez que minha mãe me via com urticária fazia aquela cara de preocupação e por muitas vezes ela chorou também. Eu não queria que ela ficasse assim, pois eu já me acostumei com a urticária. E tinham dias que a minha paciência acabava com ela também. Infelizmente, a gente acaba descontando nas pessoas mais próximas.

Já se passaram 10 anos desde o dia daquele aniversário do meu namorado, depois daquele dia passamos por muitos outros episódios parecidos. Urticas e angioedemas nos acompanhando em restaurantes, formaturas, casamentos, praia, e muitas idas à hospitais. Tem que ser forte! Mas já sabemos que hoje pessoas com urticária crônica espontânea, como eu, podem sim viver com qualidade de vida. O importante é não desistirmos, buscarmos sempre os melhores resultados junto aos nossos médicos.

* Os blogueiros são financeiramente compensados, considerando um valor de mercado pelas horas dedicadas. O pagamento aos blogueiros de forma alguma interfere no conteúdo que escrevem, nas opiniões ou perspectivas da vida com urticária.

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