Olá, tudo bem?

A Esclerose Múltipla entrou na minha vida de supetão, assim como aconteceu para todos os pacientes. Ninguém espera, ninguém quer. A maioria de nós é surpreendida por uma enfermidade da qual nunca ouviu falar. É um susto, mas junto ele vem a vontade de viver, a garra e a força de lutar e de não se entregar. Assim eu vivo diariamente com a EM.

Mesmo com a fadiga extrema, já tentei me reinventar de diversas formas. Eu não quero me entregar. Por vezes levo até bronca para desacelerar um pouco. Já tentei cursar outra graduação, fiz cursos. Fico pensando no que posso fazer agora para ter uma nova ocupação, já que minhas sequelas me impedem de exercer a minha profissão. Sei que um dia vou encontrar algo que me faça feliz. E acho que temos que pensar assim.

REINVENTAR! Seja com trabalho, lazer, esporte ou algo que nos dê prazer e que possamos adaptar à nossa nova realidade. E durante esse processo, que já dura cinco anos, aprendi muita coisa com a EM.

A EM me ensinou uma nova forma de encarar o mundo e a vida. Aprendi que posso viver normalmente e com dignidade. Aprendi que posso ser forte o suficiente para vencer a fadiga do meu dia a dia. E, caso a fadiga persista, aprendi como devo fazer para me sentir o mais confortável possível. Descobri que mesmo que esteja internada posso transmitir coisas positivas para outras pessoas que, assim como eu, convivem com a EM.

A EM também modificou a forma de ver a vida como mulher! Brinco muito com a história de ser “diva”. Somos divas, com limitações ou não, pois precisamos algumas vezes pensar mais em nós e desacelerar essa vida corrida que é a de uma mulher. A EM me mostrou que tenho mais força do que eu poderia imaginar, como mãe, filha e amiga.

A EM – assim mesmo, no feminino – me ajudou a crescer como pessoa, a mostrar aos meus filhos que podemos ser fortes e encarar todos os desafios com coragem, perseverança e fé! Ela me ensina diariamente a ser mais paciente, que tenho que pensar mais em mim e, em primeiro lugar, cuidar de mim para então poder cuidar dos outros. Me ensinou também a perder os meus medos e que tenho que viver o dia de hoje e ter garra para encarar o que pode vir amanhã.

Isso sem falar de todos os amigos que a EM me deu, e a oportunidade de dividir com muitas pessoas a minha experiência e aprender com eles a cada dia. Por causa da EM, temos uma rede mundial de pessoas que se conheceram, mesmo que virtualmente, para aprender a conviver e superar as dificuldades, dividir momentos e dicas, e desejar que o outro fique bem. Isso se chama AMOR e SOLIDARIEDADE.

Todos ganhamos muitos amigos, e alguns grandes amigos. E nem a distância impede que eles participem diariamente de nossas vidas; criamos laços de amizade que atravessam até o oceano!

Nós, pacientes, sonhamos com o dia em que seremos compreendidos. Esperamos o dia em que poderemos, ao tentamos levar uma vida normal, não ser julgados quando não estivermos bem, já que a EM é uma doença invisível e muitos não a compreendem. Mesmo assim não desistiremos!

Estamos aqui para ajudar a encarar diariamente todos os desafios e para auxiliar os que agora estão naquele momento delicado pelo qual já passamos um dia, quando descobrimos a EM em nossas vidas.

Grazielle Azevedo, a Diva Esclerosada. 

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