Diagnóstico do tumor neuroendócrino (TNE) é tardio: leva de 3 a 7 anos

19/02/2017

Diagnóstico do tumor neuroendócrino (TNE) é tardio: leva de 3 a 7 anos

Infelizmente, o diagnóstico do tumor neuroendócrino é tardio na maioria dos casos, levando em média de 3 a 7 anos após o início da doença para que a doença seja detectada.1 Os dados são alarmantes: 60% a 80% dos pacientes são diagnosticados em estadio avançado, quando o tumor já apresenta metástase.2

Algumas razões contribuem para o diagnóstico tardio, como o crescimento lento desses tumores e, consequentemente, a demora para o surgimento dos sintomas. Outro fator é que os sintomas, quando aparecem, são inespecíficos, dificultando o diagnóstico e levando muitos pacientes a sequer procurar um médico. Por fim, a abrangência de sintomas dos tumores neuroendócrinos, que variam de acordo com sua localização, também impõe desafio ao diagnóstico precoce. Além disso, infelizmente ainda não existem exames preventivos de rotina indicados para pessoas sem sintomas.1,3-4

A busca pelo diagnóstico dos tumores neuroendócrinos (ou sua exclusão) é indicada principalmente quando:3

1. Há sinais e sintomas claros do tumor neuroendócrino (TNE);
2. O médico suspeita do tumor neuroendócrino após conversar com o paciente sobre sua saúde e fazer um exame físico completo;
3. Exames de rotina e/ou de imagem sugerem algo anormal nos pulmões, intestino, pâncreas ou outros órgãos onde os TNEs podem ocorrer.

Por tudo isso, o processo de investigação para o diagnóstico do tumor neuroendócrino pode ser longo e até frustrante para alguns pacientes. Embora, vale reforçar que se houver adesão ao tratamento, é possível controlar a doença e seus sintomas por muitos anos.3,5

Avanços nas técnicas diagnósticas, como o exame chamado anatomopatológico completo, permitem a avaliação detalhada dos tecidos dos tumores, incluindo a contagem de uma proteína chamada KI-67. A contagem dessa proteína permite estimar a taxa de crescimento celular do tumor e, consequentemente, classificar o grau tumoral de forma mais precisa. Com esse resultado em mãos, o médico é capaz de determinar o tratamento mais adequado ao paciente.6

O diagnóstico dos tumores neuroendócrinos é individualizado, isto é, não existe apenas um caminho ou protocolo a ser seguido até o diagnóstico. Há uma grande variedade de testes e exames que podem ser solicitados e conduzidos pela equipe médica, para confirmar ou excluir a existência do tumor neuroendócrino. Esses testes buscam desde alterações hormonais provocadas pela ação do TNE no sangue ou na urina, até a presença de uma massa anormal de tecido (o tumor) em exames de imagem.1, 3-4

Conheça algumas etapas do diagnóstico dos tumores neuroendócrinos

Histórico de saúde do paciente:

durante a investigação dos sinais e sintomas, ou mesmo em uma avaliação de rotina, o médico busca conhecer o histórico de saúde do paciente. Isso inclui a coleta de informações como doenças prévias, estilo de vida, histórico familiar, etc. Alguns sintomas que no passado não pareciam relevantes podem ser importantes neste momento, por isso, tente relatar tudo com o máximo de precisão.1 O histórico familiar de síndromes de neoplasia endócrina múltipla (MEN) e síndrome de Von Hippel-Lindau (desordens genéticas raras que podem causar o desenvolvimento de múltiplos tumores), por exemplo, pode ser um alerta ao médico para o tumor neuroendócrino.1

Exame de sangue:

entre os testes que podem ser solicitados está o exame de sangue em jejum, para contagem de hormônios.1, 3-4 Entre as taxas que podem estar alteradas por conta de um tumor neuroendócrino estão a cromogranina A e B, polipeptídeos pancreáticos, insulina, gastrina, glucagon, neurotensina, VIP (peptéideo vaso-intestinal) e o aumento de outros peptídeos e hormônios menos comuns no sangue.1

Outros dados coletados para o diagnóstico do tumor neuroendócrino por meio do exame de sangue são:1

  • Hemograma completo;
  • Testes de função renal (creatinina, ureia e eletrólitos);
  • Testes de função hepática;
  • Testes de função da tireoide;
  • Painel de hormônios da hipófise: hormônio adrenocorticotrópico (ACTH), prolactina, hormônios de crescimento e cortisol;
  • O cálcio sérico e os níveis do hormônio da paratiroide (nos casos de suspeita de TNE pancreático ou como um rastreio simples para a síndrome neoplásica endócrina múltipla tipo 1, conhecido ainda por MEN-1, em sua sigla em inglês).

Exame de urina:

este também é um recurso que contribui com o diagnóstico do tumor neuroendócrino. O exame visa identificar alteração na quantidade da substância 5-HIAA (ácido 5-hidroxiindoleacético) na urina de 24 horas. Níveis elevados podem indicar o tumor neuroendócrino em atividade.1,3

Endoscopia e colonoscopia:

o foco é buscar tumorações no tubo digestivo, sendo cada um para uma área específica. Caso seja encontrada alguma alteração, uma amostra do tecido pode ser retirada para análise no microscópio. Em alguns casos, essa análise pode ser também a única forma de determinar o tipo de TNE.1, 3-4

Biópsia:

consiste na análise de um tecido da área possivelmente afetada pelo tumor no microscópio. Essa é a única forma de garantir o correto diagnóstico do tumor neuroendócrino.1 O exame anatomopatológico completo, um tipo de análise que pode integrar a biópsia, permite ainda a contagem da proteína chamada KI-67, que classifica o grau do tumor, indicando ao médico o tratamento mais adequado.5

O que é KI-67 e porque sua contagem é tão importante?
KI-67 é uma proteína presente nas células e que aumenta em quantidade à medida que essas células se preparam para se dividir e se multiplicar. Através do exame chamado anatomopatológico completo, é possível avaliar a quantidade dessa proteína no tumor e, dessa forma, estimar seu crescimento e grau tumoral (já que quanto mais KI-67 presente, mais rapidamente as células tumorais “doentes” estão se multiplicando).7 Essa informação contribui para que o médico prescreva o tratamento mais adequado para cada tipo de tumor neuroendócrino.5

 

Ultrassom endoscópico:

pode indicar áreas afetadas de forma menos invasiva que uma cirurgia, por meio de um ultrassom acoplado na extremidade de um endoscópio.1

Cintilografia com Análogos da Somatostatina (Octreoscan):

esse exame escaneia todo o corpo de maneira não invasiva em busca de regiões que respondem à somatostatina. Esse hormônio produzido naturalmente pelo organismo está diretamente relacionado com os tumores neuroendócrinos, por isso, esse exame pode detectar as áreas do corpo acometidas pela neoplasia e pode facilitar na definição do local primário da doença, já que muitas vezes a doença é mensurável somente no local das metástases.3-4

Outros exames de imagem:

podem ser solicitados para avaliar a extensão da doença, também conhecido como estadiamento tumoral. Esse passo é fundamental na programação do tratamento do tumor neuroendócrino. Para isso, podem ser realizados exames de ressonância nuclear magnética ou tomografia computadorizada.3-4


Referências
1. NET Cancer Day. Treatment options. Disponível em: http://netcancerday.org/learn-more/treatment/. Disponível em dezembro de 2016.
2. Site Exame.com. Entenda o câncer raro que matou Steve Jobs. Disponível em: http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/entenda-o-cancer-raro-que-matou-steve-jobs/. Acesso em dezembro de 2016.
3. Canadian Cancer Society. Treatment of neuroendocrine cancer. Disponível em: http://www.cancer.ca/en/cancer-information/cancer-type/neuroendocrine/treatment/?region=bc. Acesso em dezembro de 2016.
4. WebMD. Neuroendocrine tumors (Nets): Treatment options. Disponível em: http://www.webmd.com/cancer/neuroendocrine-tumors-treatments#2. Acesso em dezembro de 2016.
5. Canadian Cancer Society. Prognosis and survival for neuroendocrine. Disponível em: http://www.cancer.ca/en/cancer-information/cancer-type/neuroendocrine/prognosis-and-survival/?region=bc. Acesso em dezembro de 2016.
6. Sorbye H, Welin S, Langer SW et al. Predictive and prognostic factors for treatment and survival in 305 patients with advanced gastrointestinal neuroendocrine carcinoma (WHO G3): the NORDIC NEC Study. ANN Oncol 2013;24(1):152-60
7. Instituto Oncoguia. Entendendo o laudo de patologia para o câncer de mama avançado. Disponível em: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/entendendo-o-laudo-de-patologia/6295/806/. Acesso em dezembro de 2016.

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