Como medir o crescimento e o grau do TNE: e porquê isso importa para seu tratamento

20/02/2018

Como medir o crescimento e o grau do TNE: e porquê isso importa para seu tratamento

Os tumores neuroendócrinos são um grupo bastante heterogêneo de doenças que se diferenciam quanto à sua origem, atividade e capacidade de crescer e se proliferar. Todos esses aspectos são importantes para entendermos o que está acontecendo dentro do corpo de cada paciente, para que ele receba cuidados e tratamentos individualizados para seu tumor.1 Da mesma forma, o prognóstico, que é a previsão da evolução da doença, também pode ser estimado quando conhecemos algumas características específicas do tumor, como as seguintes:1

  • taxa de proliferação celular
  • invasão tumoral
  • surgimento de novos vasos sanguíneos
  • tamanho e aspecto
  • presença de linfonodos afetados ou se existe metástase à distância

Conhecendo as características específicas de cada tumor neuroendócrino (TNE)

Dentre as diversas técnicas atualmente disponíveis para avaliar essas características, temos o exame anatomopatológico colhido por biópsia, ou seja, quando um fragmento do próprio tumor neuroendócrino é retirado e avaliado em lâminas utilizando um microscópio. Assim, as características mais essenciais da doença podem ser identificadas. Uma dessas técnicas de anatomia patológica utiliza um anticorpo brilhante que se liga especificamente a um antígeno chamado Ki-67, da mesma forma como uma chave se encaixa à fechadura. Esse biomarcador Ki-67 é produzido durante a fase ativa da proliferação celular, ou seja, sua presença indica que a célula está em crescimento e divisão celular ativa. Então, quando avaliamos o conjunto de todas as células do fragmento da biópsia, é possível identificar o grau de proliferação daquele TNE de acordo com a coloração daquele tecido presente na lâmina. Quanto maior for a quantidade de anticorpos brilhantes na lâmina do microscópio, maior será a agressividade e capacidade de proliferação daquele tumor, e pior será o prognóstico daquela doença.2

Os estudos científicos mostram que a estimativa de sobrevida após 5 anos de um paciente que tenha menos de 5% das células de seu tumor neuroendócrino marcados com o Ki-67 é de quase 90%, enquanto que apenas metade dos pacientes que apresentam células com Ki-67 positivos entre 5 e 20% conseguem sobreviver por 5 anos após o diagnóstico do TNE.2

Como os médicos usam esses resultados para determinar o melhor tratamento para cada TNE

Com os resultados do exame anatomopatológico e outros dados em mãos, o médico é capaz de individualizar o cuidado do seu paciente, tanto cirúrgica quanto clinicamente, pensando no tratamento e utilizando terapias mais direcionadas para aquele tipo específico de tumor neuroendócrino, aumentando o sucesso do tratamento. A quimioterapia, por exemplo, é mais indicada para tumores que apresentam alto grau de proliferação, com Ki-67 maior do que 20%, enquanto que os medicamentos análogos de somatostatina são geralmente utilizados em tumores de menor grau de proliferação.3

Como muitas vezes os sintomas dos tumores neuroendócrinos são diversos e demoram a aparecer, mesmo em estágios avançados da doença, é muito difícil realizar o diagnóstico correto do TNE baseando-se apenas no quadro clínico do paciente.4

Por isso, com o aumento de recursos disponíveis na medicina atual, cresce também a importância dos exames complementares no entendimento dos tumores neuroendócrinos e na conduta médica mais adequada de acordo com as diversas faces que os tumores neuroendócrinos podem apresentar.4

O exame anatomopatológico é considerado o que há de melhor no diagnóstico dos TNEs (na linguagem médica, chamado de padrão-ouro), pois permite a visualização direta do tumor e avaliação de suas características microscópicas. O desenvolvimento de técnicas que utilizam a imuno-histoquímica, localizando proteínas específicas nos tecidos, permitiu entender melhor o comportamento dos tumores neuroendócrinos, guiando a terapêutica para tratamentos individualizados e mais eficazes, melhorando assim as perspectivas e a qualidade de vida dos pacientes.5


Referências

1. Martin-Perez E, Capdevila J, Castellano D, Jimenez-Fonseca P, Salazar R, Beguiristain-Gomez A, et al. Prognostic factors and long-term outcome of pancreatic neuroendocrine neoplasms: Ki-67 index shows a greater impact on survival than disease stage. The large experience of the Spanish National Tumor Registry (RGETNE). Neuroendocrinology. 2013;98(2):156–68.
2. Richards-Taylor S, Ewings SM, Jaynes E, Tilley C, Ellis SG, Armstrong T, et al. The assessment of Ki-67 as a prognostic marker in neuroendocrine tumours: a systematic review and meta-analysis. J Clin Pathol. julho de 2016;69(7):612–8.
3. Narayanan S, Kunz PL. Role of somatostatin analogues in the treatment of neuroendocrine tumors. J Natl Compr Cancer Netw JNCCN. janeiro de 2015;13(1):109–117; quiz 117.
4. Fernandes LC, Pucca L, Matos D. Diagnosis and treatment for carcinoid tumors in the digestive tract. Rev Assoc Médica Bras. março de 2002;48(1):87–92.
5. Jamali M, Chetty R. Predicting prognosis in gastroentero-pancreatic neuroendocrine tumors: an overview and the value of Ki-67 immunostaining. Endocr Pathol. 2008;19(4):282–8.