Adesão ao tratamento do TNE: porque é tão difícil e o que você pode fazer

20/03/2018

Adesão ao tratamento do TNE: porque é tão difícil e o que você pode fazer

Sabemos que receber o diagnóstico de um tumor neuroendócrino (TNE) envolve uma mistura de sentimentos e muitas mudanças no cotidiano que irão acompanhar os pacientes (e seus familiares) por um longo período. A descoberta da doença muda as atividades diárias, as relações com familiares, amigos e no trabalho. Mas em meio a tantas mudanças, é fundamental saber e manter sempre em mente que mesmo nos casos mais graves, em que o diagnóstico é tardio e a doença já se espalhou para outros órgãos e tecidos (chamada de metastática ou avançada), é possível controlar os sintomas e a progressão dos TNEs alcançando muitos anos de sobrevida com qualidade.1 Conhece os fatores que influenciam neste resultado?

Não são só as características individuais de cada tumor neuroendócrino e o estágio da doença que definem o controle e o sucesso no tratamento. A relação do paciente com a sua nova condição de saúde e sua adesão ao tratamento também são fundamentais.1,2

O tratamento de um tumor neuroendócrino é longo, e mesmo se diagnosticado em fases iniciais, em que a cirurgia é indicada e muitas vezes capaz de curar a doença, o paciente deve seguir o tratamento e acompanhamento médico por pelo menos 10 anos até que seja, de fato, considerado curado. Nos casos em que não há essa possibilidade, o tratamento envolve outras abordagens que buscam o controle dos sintomas e a redução da taxa de crescimento do tumor, oferecendo ao paciente maior qualidade de vida e manutenção de suas capacidades para exercer de forma plena suas atividades diárias.2

Como melhorar a adesão ao tratamento dos tumores neuroendócrinos (TNE)

A adesão ao tratamento dos tumores neuroendócrinos envolve vários fatores, desde a própria situação social e cultural do paciente, sua doença, seus sintomas e as características de seu tratamento, bem como a facilidade de acesso ao serviço de saúde e à informação sobre a doença.3 Outro fator super importante é o vínculo estabelecido entre o paciente e sua equipe de saúde, principalmente a relação entre o médico e o paciente, que juntos poderão encontrar estratégias para superar os desafios e seguir corretamente as recomendações terapêuticas.4

Listamos abaixo alguns dos fatores que podem melhorar a adesão ao tratamento dos TNEs.

Melhor relação médico-paciente: uma forma bastante eficaz de aumentar a adesão ao tratamento é investir na melhoria da comunicação entre médico e paciente, focando principalmente nos aspectos práticos da doença e do tratamento. É importante que o médico seja claro ao explicar as características do TNE e os eventuais efeitos colaterais dos tratamentos propostos (e como evitá-los ou minimizá-los), ao mesmo tempo em que o paciente tem que se sentir confortável para fazer perguntas e entender aquilo que ainda não está claro sobre sua doença e seu tratamento.5

Entendimento e controle do tratamento: a informação é a chave para que o paciente participe ativamente do seu tratamento. É importante que o paciente entenda o porquê do tratamento escolhido e busque perceber os benefícios diários do seu tratamento.5 O auto monitoramento para a tomada das medicações e demais cuidados envolvidos no tratamento também é fundamental, e para isso o paciente pode usar recursos como lembretes e reforços periódicos (do celular, por exemplo) e contar com o apoio de um cuidador e/ou familiar. Esses cuidados aumentam o nível de controle pessoal/familiar no tratamento e podem motivar o paciente a continuar o tratamento.6

Acesso a uma rede de apoio ampliada: receber ajuda e contar com aconselhamento e envolvimento familiar, ampliando a rede de apoio, podem aumentar a autoconfiança e diminuir a sobrecarga nos pacientes. Esse apoio também pode facilitar o processo de adaptação das atividades cotidianas após a doença.6

Acesso a psicoterapia e/ou terapia de grupo: a aflição e sofrimento psicológico decorrentes do diagnóstico e da convivência dos tumores neuroendócrinos também podem diminuir a adesão ao tratamento. Assim, a psicoterapia e mesmo abordagem em grupo com pessoas em situação semelhante, podem trazer benefícios e melhorar a aderência ao tratamento crônico.6

Papel ativo do paciente no tratamento: o paciente tem um papel fundamental no processo de saúde/doença por meio de seus conhecimentos, expectativas e valores. Se você é paciente, tente entender a importância do uso dos medicamentos para combater sua doença crônica, e busque lidar de forma positiva com sua nova condição de vida, sempre com maior autocontrole e liberdade. No que diz respeito à informação, busque sempre fontes confiáveis e esclareça todas as suas dúvidas com seu médico.


Referências

1. Wong MH, Chan DL, Lee A, Li BT, Lumba S, Clarke SJ, et al. Systematic Review and Meta-Analysis on the Role of Chemotherapy in Advanced and Metastatic Neuroendocrine Tumor (NET). PloS One. 2016;11(6):e0158140.
2. Narayanan S, Kunz PL. Role of somatostatin analogues in the treatment of neuroendocrine tumors. J Natl Compr Cancer Netw JNCCN. janeiro de 2015;13(1):109–117; quiz 117.
3. Atreja A, Bellam N, Levy SR. Strategies to enhance patient adherence: making it simple. MedGenMed Medscape Gen Med. 16 de março de 2005;7(1):4.
4. O’Connor PJ. Improving medication adherence: challenges for physicians, payers, and policy makers. Arch Intern Med. 25 de setembro de 2006;166(17):1802–4.
5. Nichols-English G, Poirier S. Optimizing adherence to pharmaceutical care plans. J Am Pharm Assoc WashingtonDC 1996. agosto de 2000;40(4):475–85.
6. Fortin M, Bravo G, Hudon C, Lapointe L, Dubois M-F, Almirall J. Psychological distress and multimorbidity in primary care. Ann Fam Med. outubro de 2006;4(5):417–22.