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Mudanças sempre causam sentimentos mistos, ainda mais quando estamos falando sobre a vida de quem tem psoríase. Para uma de nossas colaboradoras do site, a transição de um trabalho integral para uma atuação como escritora freelancer acabou sendo surpreendente e gratificante. Leia mais sobre sua jornada a seguir!

Por Brittany, de Nova York*

Há algum tempo comecei um ótimo emprego em uma startup. O trabalho exigia longas e exaustivas horas, mas gostei do desafio e mergulhei fundo. Depois de alguns meses e muito estresse, minha pele começou a reagir de um jeito estranho.

Os sintomas da minha psoríase (ainda não diagnosticada) começaram lentamente, parecendo uma reação alérgica, com algumas erupções cutâneas.

Antes que eu percebesse, essas erupções já ocupavam quase 90% do meu corpo. Eu decidi então procurar um médico, acreditando que um creminho e um pouco de cuidado resolveriam.

Diagnóstico da psoríase

Depois de 12 frascos de cremes para pele em vão e várias consultas médicas realizadas, fui diagnosticada com uma doença que eu nunca tinha ouvido falar antes: a psoríase.

Frustrada e chateada, fui obrigada a repensar minha vida para descobrir por que isso estava acontecendo comigo. Eu imediatamente pensei em meu trabalho.

Eu sabia que não estava feliz ali. As horas eram infinitas, o volume de trabalho parecia não ter fim e o clima era ruim. Dei o meu melhor nesse trabalho, ignorando os sinais óbvios que meu corpo estava tentando me dar.

Como explicar a psoríase?

As pequenas manchas no meu corpo haviam se transformado em placas vermelhas com descamação. Ao notar as feridas que pareciam estar em carne viva nas minhas mãos, braços e atrás do meu pescoço, os colegas de trabalho começaram a me perguntar o que estava acontecendo. E eu na verdade não tinha uma resposta.

Dava para perceber que meus colegas começaram a me evitar, talvez com medo de que fosse contagioso. Então decidi conversar com meu chefe. A resposta dele ficará para sempre na minha memória: “Você deve ser uma pessoa má e sua pele é um reflexo disso.” Eu ri de tão rude e descabida que foi essa afirmação. Quem poderia dizer uma coisa dessas?! No fim da conversa, pedi minha demissão.

Depressão e cansaço

Estar desempregada pela primeira vez em anos. Era assustador! Ainda mais com a minha “nova pele”, manchada e com descamação, a perspectiva de encontrar um trabalho novo parecia inexistente.

Quem iria me contratar com essa aparência? Como eu explicaria a condição da minha pele em entrevistas de emprego? O que eu poderia vestir para uma entrevista de emprego?

Eu mergulhei numa insegurança e tive pena de mim mesma por um tempo, mas meu desejo de fazer algo nesse mundo era mais forte do que o meu desejo de desaparecer.

Enfrentando a psoríase

Depois de acalmar minha alma, eu estava procurando trabalho novamente… Mas eu estava diferente agora. Eu não só parecia diferente, eu me sentia diferente. Eu sentia como se estivesse acontecendo uma batalha dentro de mim, mas, como se tratava da psoríase, todo mundo assistiu essa batalha de camarote.

Apesar disso, eu segui em frente. Transformei a psoríase em algo que pudesse me fortalecer. Comecei a escrever sobre a minha experiência e rapidamente me apaixonei por isso.

Encontrei alguns trabalhos como escritora freelancer e foi incrível. Isso me deu a liberdade para trabalhar de lugares diferentes, com um horário mais flexível, e ter a chance de cuidar da minha psoríase ao mesmo tempo. Minha pele e meu corpo agradeceram.

Não tenha medo de pedir ajuda

Toda essa experiência – desde o novo trabalho até minha nova perspectiva – me fizeram perceber o quanto é importante falar. Parece algo simples, mas é fundamental se você está convivendo com psoríase.

Fale e explique na consulta exatamente como você se sente. Eu relutei por muito tempo e pensei que não precisava de ajuda, que era apenas algo passageiro. Quando, na realidade, eu deveria ter confiado no meu médico para encontrar a melhor solução para a minha condição de pele.

Nunca é tarde para pedir ajuda – eu sou o exemplo disso! Você só precisa continuar. Continue perguntando, pesquisando, e siga em frente.

Se você ainda não faz acompanhamento com um(a) especialista, busque um(a) dermatologista aqui – e se você já tem dermatologista, converse abertamente.

*Brittany, nascida e criada em Nova Iorque, foi diagnosticada com psoríase há pouco tempo. Após seu diagnóstico, ela entrou de cabeça no trabalho em defesa da psoríase e lançou seu próprio blog, comprometendo-se a ajudar outras pessoas que convivem com a doença.

*Imagem ilustrativa – não retratam as pessoas citadas ou a autora do texto


Fonte: Skin to live in. New job, same psoriasis. Disponível em: https://www.psoriasispakistan.pk/psoriasis/article/new-job-same-psoriasis/. Acesso em dezembro de 2020.

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