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Embora o clima mais quente seja uma bênção para alguns, para pessoas com uma doença de pele pode muitas vezes parecer uma maldição. Veja como a Melissa encarou seus shorts de corrida e sua psoríase.

Por Melissa*

Se você tem psoríase, você pode ter sido socialmente estigmatizado uma vez ou outra. Às vezes, os comentários são apenas tentativas equivocadas de perguntas inofensivas. Outras vezes, as palavras são diretas e ofensivas. Eu tive sintomas extremamente graves da psoríase por 23 dos meus 24 anos, e eu sempre acreditei que as pessoas aprendem a ter compaixão quando recebem conhecimento.

No primeiro dia quente da primavera do ano passado, decidi usar shorts na minha corrida matinal, mesmo tendo placas grossas causadas pela psoríase cobrindo minhas pernas.

Eu estava sentindo uma mistura de alegria e coragem com a primavera. Quando parei para tomar um café a caminho de casa, de repente percebi que uma mulher estava olhando fixamente para as minhas pernas. Eu congelei por uma fração de segundo, do jeito que eu sempre faço quando sou repentinamente confrontada com o fato de que minha pele parece desagradável. Ainda assim, sorri para a mulher, determinada a mostrar a ela que não sou uma criatura a ser temida.

Os olhares continuaram e meus pensamentos começaram a martelar na minha cabeça:

“Ela está olhando minhas placas.”

“Ela vai dizer algo para mim e eu não vou gostar.”

“Ela vai gritar e depois sair correndo do café.”

Meu bom humor começou a desmoronar. Por que eu não poderia simplesmente usar o que queria sem me sentir uma aberração? Por que eu preciso esconder minha pele quando não fiz nada para merecer isso? Por que eu estava novamente sendo reduzida a uma doença?

Eu não tenho orgulho de ter uma doença, mas comecei a ficar com raiva.

E então eu a vi se aproximando de mim. Eu coloquei um sorriso agora forçado, e preparei-me para fazer o discurso de sempre: “Não é uma doença contagiosa. É uma doença genética autoimune…” Mas não foi isso o que aconteceu.

A mulher simplesmente me perguntou onde eu tinha comprado meus tênis. Ela explicou que amava as cores exclusivas e que procurava um tênis de corrida como o meu. Ela até elogiou minhas pernas torneadas das corridas e comentou que estava se esforçando para entrar em forma. Que surpresa! A psoríase nunca entrou na conversa.

Enquanto ela se afastava, percebi a rapidez com que minha guarda instintivamente se levantou. Claro, se ela tivesse comentado sobre minha psoríase, eu teria sido agradável e gentilmente informativa, mas teria ficado chateada. Por que eu estava tão na defensiva?

Porque tive uma vida inteira de bullying e críticas. Embora muitas vezes eu possa ignorar as perguntas e comentários, eu também não me culpo por sentir raiva às vezes. Sempre há pessoas que não querem ou não conseguem ver nada além da sua pele, mas também existem pessoas que entendem as inseguranças, doenças e preocupações dos outros. Eu não sei sobre essa mulher, mas ela estava curtindo a linda manhã de primavera, assim como eu.

Esse fato pode ter sido a exceção, e não a regra, mas era tudo o que eu precisava. Se alguém parece estar olhando para mim, eu me lembro de que nem sempre é sobre a minha pele. Eu não posso minimizar os momentos dolorosos porque eu já passei por duas décadas, mas viver com psoríase não significa viver dentro dos confinamentos da doença. Não se reduza preventivamente porque, mesmo quando a dor estiver te consumindo, você é muito mais do que a sua psoríase.

E, sempre que eu quiser, vou usar orgulhosamente shorts de corrida. E você?

Psoríase exige tratamento contínuo! Se não faz acompanhamento com dermatologista, agende uma consulta agora!

*Vivendo em Nova Iorque, a ex-dançarina profissional Melissa desenvolveu psoríase com apenas alguns meses de idade. O que começou como uma pequena mancha na bochecha cobriu 90% do corpo, quando ela foi diagnosticada, aos 3 anos de idade. Embora a psoríase tenha impactado grande parte de sua vida, Melissa vê a doença como apenas uma pequena parte de quem ela é. 

** Imagem ilustrativa – não retrata as pessoas citadas ou a autora do texto **


Fonte: Skin to live in. How I run through the psoriasis stigma. Disponível em: https://www.skintolivein.com/psoriasis/article/how-i-run-through-the-psoriasis-stigma/. Acesso em agosto de 2019.

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