Quem chega primeiro: a psoríase ou a obesidade? Entenda a relação


Quem chega primeiro: a psoríase ou a obesidade? Entenda a relação

Você sabia que a psoríase e seu peso podem estar relacionados? A questão é: o excesso de peso leva à psoríase ou quem tem psoríase se torna mais propenso a engordar? Curiosamente, há evidências dos dois lados.1,2

A psoríase é uma doença crônica autoimune que causa uma inflamação na pele, levando a sinais e sintomas como lesões cutâneas, coceira e até dor. Esta inflamação na pele é causada por moléculas chamadas de citocinas. Quando engordamos, o tecido adiposo (responsável pelo armazenamento das gorduras) também produz citocinas, que geram uma resposta inflamatória no nosso corpo semelhante à da psoríase.1,3

Então, à medida que engordamos (e que nosso tecido adiposo aumenta), o grau de inflamação também aumenta, podendo provocar a piora da psoríase, ou sendo um fator que colabora para o aparecimento da doença. Por isso, a perda de peso pode sim melhorar a psoríase em obesos.1,3

Por outro lado, muitas pessoas com psoríase não se exercitam, seja pelo desconforto relacionado ao contato das roupas com a pele, porque ficam constrangidas por sua aparência ou porque sentem dor, o que é comum quando há uma condição chamada artrite psoriásica.2 Como já falamos aqui, a psoríase vai muito além de uma doença de pele, podendo causar depressão e, consequentemente, uma alimentação inadequada e o uso de antidepressivos, o que também pode contribuir com o aumento de peso.1,2,3

A relação entre psoríase e sobrepeso é uma via de mão dupla: a obesidade pode aumentar as chances de apresentar ou agravar a psoríase; e a psoríase aumenta o risco do ganho de peso.1,2

Então perder peso pode ajudar a combater a psoríase e a artrite psoriásica?

Tanto a psoríase como a obesidade são condições inflamatórias que aumentam o risco de uma variedade de problemas de saúde, incluindo doenças cardíacas, diabetes tipo 2, doença hepática e até mesmo algumas formas de câncer.1 Então, perder peso reduz a inflamação do corpo. Isso se traduz em menor pressão arterial, melhorias no metabolismo da glicose, redução das gorduras no sangue e reversão da inflamação do fígado.1,3

Além disso, perder peso pode reduzir a gravidade da psoríase1 e melhorar a eficácia dos medicamentos.3 A perda de peso e o uso de medicamentos para psoríase podem funcionar em conjunto para melhorar os sintomas da doença em pessoas com excesso de peso e com artrite psoriásica.1,3 Embora a perda de peso possa não impedir o aparecimento ou melhorar a gravidade da psoríase para sempre, ainda será uma boa melhoria para sua saúde em geral.2 Então, só a perda de peso já é considerada uma grande vitória!

Mas é importante ter sempre em mente que não há mais motivo para sofrer com as lesões da psoríase e deixar que elas limitem sua vida. Hoje, independentemente da gravidade da sua psoríase, o objetivo do tratamento é alcançar pele sem lesão ou quase sem lesão – isso significa atingir o índice PASI 90 a 100 (quando 90% ou até mesmo 100% das lesões desaparecerem).4

Como perder peso está relacionado tanto ao aumento da atividade física quanto a uma dieta adequada, todos com psoríase devem ser motivados a modificar o estilo de vida. A prática de exercícios regulares, além de ajudar a perder peso, também pode ajudar a diminuir a dor, o inchaço e a rigidez das articulações (no caso da artrite psoriásica), sempre sobre orientação e liberação de um profissional. Mas pergunte sempre ao seu médico qual a dieta e a atividade física mais adequadas para o seu caso.1,2

Essas mudanças de estilo de vida, devem ser iniciadas de forma lenta e incorporadas aos poucos em sua nova rotina.2 E para monitorar sua psoríase, lembre-se sempre de usar o DLQI (Índice de Qualidade de Vida em Dermatologia) e, junto com seu médico, o PASI (Índice de gravidade de psoríase por área) – medidas fundamentais para que vocês acompanhem a gravidade da psoríase, avaliem a resposta aos tratamentos e a necessidade de mudança terapêutica.5,6 Conheça seus índices e converse sobre esses números com seu médico.


Referências

1. PAPAA. Overweight and psoriasis. Disponível em: http://www.papaa.org/resources/overweight-and-psoriasis Acessado em: 02/10/2017.
2. WebMD. Psoriasis and Obesity: What’s the Connection? Disponível em: https://www.webmd.com/skin-problems-and-treatments/psoriasis/features/psoriasis-obesity-whats-connection#1 Acessado em: 02/10/2017.
3. Jensen P, Skov L. Psoriasis and Obesity. Dermatology. 2016;232(6):633-639.
4. EMEA – CHMP. Guideline on Clinical Investigation of Medicinal Products Indicated for the Treatment of Psoriasis. Disponível em: http://www.ema.europa.eu/docs/en_GB/document_library/Scientific_guideline/2009/09/WC500003329.pdf Acesso em julho de 2017.
5. Silva MF, Fortes MR, Miot LD et al. Psoriasis: correlation between severity index (PASI) and quality of life index (DLQI) in patients assessed before and after systemic treatment. An Bras Dermatol. 2013 Sep-Oct;88(5):760..
6. Revicki DA, Willian MK, Menter et al. Relationship between clinical response to therapy and health-related quality of life outcomes in patients with moderate to severe plaque psoriasis. Dermatology. 2008;216(3):260-70.

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