Tratamento do melanoma

Tratamento do melanoma

25/02/2017

Tratamento do melanoma

Após o diagnóstico do melanoma e da classificação de seu estágio, o médico discutirá as opções de tratamento com o paciente. É importante que o paciente pense cuidadosamente sobre suas escolhas, levando em conta os benefícios, os possíveis riscos e efeitos colaterais de cada opção de tratamento. Por isso, conhecer as opções de tratamento do melanoma metastático é de extrema importância para o paciente.1,2

Com base no estágio da doença e outros fatores (como idade e saúde geral do paciente), as principais opções de tratamento para pessoas com câncer de pele do tipo melanoma podem incluir a cirurgia, a imunoterapia, a terapia alvo, a quimioterapia e a radioterapia. Em muitos casos, uma combinação desses tratamentos pode ser utilizada.1,3

De acordo com as opções de tratamento definidas para cada paciente, a equipe médica poderá ser formada por diferentes especialistas, como um dermatologista, um cirurgião, um oncologista e um radioterapeuta. Outros especialistas também podem fazer parte da equipe, incluindo enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, assistentes sociais e psicólogos, para possibilitar melhor qualidade de vida durante o tratamento.1,4

*Melanoma Just Got Personal. Advanced Melanoma Testing and Treatment. Disponível em http://www.melanomajustgotpersonal.com/advanced-melanoma-testing-and-treatment/. Último acesso em fevereiro de 2017.

Opções de tratamento do melanoma metastático

Cirurgia

Excisão: a cirurgia de excisão é a principal opção terapêutica para a maioria dos casos de melanoma. Através deste procedimento, a maioria dos melanomas em estágio inicial são curados. O câncer é retirado juntamente com uma pequena porção de tecido sadio utilizando anestesia local e deixa uma pequena cicatriz.3,5-6

Dissecção de linfonodo ou linfadenectomia: quando o melanoma é diagnosticado, é importante saber se o câncer se espalhou para os gânglios linfáticos. O mapeamento do linfonodo e a biópsia são procedimentos realizados para verificar se há câncer nos gânglios linfáticos, mesmo quando estes não se apresentam inchados. Caso o câncer seja detectado nessas regiões, eles poderão ser removidos. No entanto, a remoção dos gânglios pode causar problemas permanentes, como o linfedema (acúmulo de fluídos nas pernas e braços). Por isso, gânglios linfáticos são removidos só se houver uma necessidade evidente.3,5-6

Cirurgia para melanoma metastático: quando o melanoma atinge órgãos distantes, como pulmão, fígado, cérebro, geralmente, ele não pode mais ser curado cirurgicamente. Mesmo assim, a cirurgia pode ser indicada para ajudar o paciente a ter melhor qualidade de vida com a redução dos sintomas da doença.3,5-6

Quimioterapia

A quimioterapia é um tipo de tratamento que utiliza substâncias químicas (agentes quimioterápicos) que afetam o funcionamento celular e podem ser administradas oralmente, por veias e artérias ou através dos músculos ou do abdômen do paciente.1,7-8

A quimioterapia ainda é muito utilizada nos casos de melanoma avançado (estágios em que o câncer se espalhou para outros tecidos ou órgãos) no Brasil. No entanto, como os novos tratamentos (terapias alvo e imunoterapias) tem apresentado melhores resultados, as quimioterapias deixaram de ser a melhor opção de tratamento em primeira linha dos casos de melanoma metastático.7,8

Além disso, como a quimioterapia destrói células cancerosas e células saudáveis, é comum que o tratamento produza muitos efeitos colaterais. Entre os efeitos colaterais estão náusea e vômito; perda de apetite; maior risco de infecções (porque diminui o número de glóbulos brancos); risco de sangramento ou hematoma por causa de pequenos cortes ou pancadas (por causa da redução na quantidade de plaquetas no sangue); cansaço (por causa do menor número de glóbulos vermelhos).7,8

Apesar de a quimioterapia não ser tão eficaz para o melanoma como para outros tipos de câncer, ela pode aliviar os sintomas ou aumentar a sobrevida de alguns pacientes. A maioria dos efeitos colaterais da quimioterapia tende a desaparecer ao término do tratamento. No entanto, o médico deve ser informado sobre qualquer sintoma, pois a maioria desses efeitos pode ser controlado de forma eficaz.7-9

Radioterapia

O tratamento radioterápico utiliza radiações ionizantes para destruir ou inibir o crescimento das células cancerosas que formam um tumor. Este tratamento geralmente não é utilizado para tratar o melanoma, mas pode ser usado no tratamento do tumor que reaparece após cirurgia na pele e/ou nos gânglios linfáticos (recorrência), ou quando um tumor não pode ser retirado cirurgicamente. A radioterapia também pode ser utilizada para tratar metástases cerebrais e ósseas. Nestes casos, a radioterapia não é usada para curar o câncer, mas sim para evitar a propagação do câncer (diminuindo ou retardando o crescimento do tumor) e aliviar os sintomas da doença. Este tratamento, no entanto, apresenta muitos efeitos colaterais como fadiga, reações cutâneas, náuseas e perda de cabelo. Seus pontos favoráveis e desfavoráveis devem ser discutidos entre médico e paciente.5,6

Imunoterapia

A imunoterapia utiliza medicamentos que estimulam o sistema imunológico do paciente a reconhecer e destruir as células cancerosas de forma mais eficaz. Este tipo de terapia é útil no tratamento de melanomas com alto risco de recorrência da doença e em casos de melanomas avançados. A imunoterapia é prescrita e administrada por um oncologista especializado.6,8,9

Terapias Alvo

A terapia alvo é um tratamento que inibe componentes específicos que contribuem para o crescimento e sobrevivência das células tumorais do melanoma, prevenindo inclusive a destruição das células saudáveis.8,10-11

Pesquisas recentes identificaram diversas vias moleculares alteradas que estão envolvidas no crescimento e disseminação do melanoma. Por isso, é importante que o paciente realize testes diagnósticos que identifiquem as mutações genéticas que causam alterações nessas vias moleculares, possibilitando aos médicos adaptar ou personalizar o plano de tratamento de um paciente a fim de contribuir para um melhor prognóstico da doença.2-3

Atualmente, a terapia alvo para o melanoma inclui:

  • Inibidores BRAF: a descoberta que aproximadamente 50% dos melanomas têm uma alteração no gene BRAF proporcionou uma revolução no tratamento do melanoma. Esses medicamentos que atuam no funcionamento das proteínas codificadas por esse gene são indicados para pessoas com melanoma de estágio III ou IV que não podem ser removidos cirurgicamente. Estes fármacos são administrados por via oral na forma de um comprimido e são especificamente utilizados quando os tumores de melanoma têm uma mutação V600E ou V600K no gene BRAF. A utilização desses medicamentos reduz significativamente a probabilidade de progressão da doença e melhora a qualidade de vida de muitos pacientes. No entanto, alguns pacientes podem desenvolver resistência ao longo do tratamento (quando não há mais resposta ao tratamento), e o melanoma começa a crescer e avançar novamente.4,10-11 Na esperança de retardar essa resistência e aumentar a sobrevivência dos pacientes, outro medicamento foi desenvolvido visando inibir uma proteína que atua na mesma via molecular do BRAF chamada MEK.8
  • Combinação dos inibidores de BRAF e MEK: esse tratamento é indicado para pacientes com melanoma que não pode ser removido cirurgicamente ou melanoma metastático que possui mutação BRAF V600E ou V600K. A combinação desses medicamentos está associada com maiores taxas de diminuição do volume tumoral, atraso no crescimento tumoral e maior sobrevida dos pacientes.4,8
    Como em outros tratamentos, alguns efeitos colaterais como cansaço, náuseas, diarreia, dores nas articulações, sensibilidade ao sol, erupção cutânea, febre, irritação do fígado e inchaço nas mãos e nos pés podem ocorrer. No entanto, devido a melhora significativa do prognóstico da doença e a redução dos efeitos colaterais das combinações de inibidores de BRAF e MEK em comparação com os inibidores de BRAF sozinhos, é preferível que essa combinação seja utilizada em pacientes com mutações do gene BRAF.4,8,10

As terapias alvo agem diretamente nas células malignas e poupam as saudáveis, apresentando melhores taxas de resposta que a quimioterapia e outros tratamentos. Sendo assim, avaliar a presença da mutação genética no gene BRAF possibilita o uso dessa terapia, na qual mais de 90% dos pacientes podem se beneficiar com o controle da doença e ganhos na qualidade de vida.11, 12

 


Referências

1. American Cancer Society. Melanoma skin cancer treatment. Disponível em: http://www.cancer.org/cancer/skincancer-melanoma/detailedguide/melanoma-skin-cancer-treating-general-info Acesso em janeiro de 2017.
2. Melanoma Research Foundation. Melanoma Treatment. Disponível em: https://www.melanoma.org/understand-melanoma/melanoma-treatment Acesso em janeiro de 2017.
3. NIH- National Cancer Institute. Treatment Option Overview. Disponível em: https://www.cancer.gov/types/skin/patient/melanoma-treatment-pdq#section/_135 Acesso em janeiro de 2017.
4. Cancer.Net. Melanoma – Treatment Options. Disponível em: http://www.cancer.net/cancer-types/melanoma/treatment-options Acesso em janeiro de 2017.
5. Skin Cancer Foundation. Melanoma treatments. Disponível em: http://www.skincancer.org/skin-cancer-information/melanoma/melanoma-treatments Acesso em janeiro de 2017.
6. A. C. Camargo. Pele melanoma. Disponível em: http://www.accamargo.org.br/tudo-sobre-o-cancer/pele-melanoma/31/ Acesso em janeiro de 2017.
7. American Cancer Society em: http://www.cancer.org/cancer/skincancer-melanoma/detailedguide/melanoma-skin-cancer-treating-chemotherapy Acesso em janeiro de 2017.
8. Skin Cancer Foundation. Treatments for stage III and stage IV melanoma. Disponível em: http://www.skincancer.org/skin-cancer-information/melanoma/melanoma-treatments/advanced-treatment Acesso em janeiro de 2017.
9. Melanoma Research Foundation. Melanoma Treatment – Immunotherapy. Disponível em: https://www.melanoma.org/understand-melanoma/melanoma-treatment/immunotherapy Acesso em janeiro de 2017.
10. American Cancer Society. Targeted therapy for melanoma skin cancer. Disponível em: http://www.cancer.org/cancer/skincancer-melanoma/detailedguide/melanoma-skin-cancer-treating-targeted-therapy Acesso em janeiro de 2017.
11. Long, G. V. et al. Dabrafenib and trametinib versus dabrafenib and placebo for Val600 BRAF-mutant melanoma: A multicentre, double-blind, phase 3 randomised controlled trial. Lancet 386, 444–451 (2015).
12. Schadendorf, D. et al. Health-related quality of life impact in a randomised phase III study of the combination of dabrafenib and trametinib versus dabrafenib monotherapy in patients with BRAF V600 metastatic melanoma. Eur. J. Cancer 51, 833–840 (2015).