O que é melanoma?

O que é melanoma?

26/02/2017

O que é melanoma?

O câncer de pele é caracterizado pelo crescimento descontrolado de células anormais da pele, causado por mutações ou defeitos genéticos no DNA, na maioria dos casos decorrente da radiação ultravioleta.1 O melanoma é um tipo de cancer de pele, derivado de células melanocíticas, mas que pode acometer outros locais do corpo como mucosas e visceras.2-5

 

O que são melanócitos?
Os melanócitos são células produtoras de melanina, um pigmento marrom que confere cor à pele e protege as camadas mais profundas de alguns efeitos nocivos do sol.2-5 Comumente, quando as pessoas expõem a pele ao sol, os melanócitos produzem mais melanina, o que leva ao bronzeamento ou escurecimento da pele.2

 

O melanoma pode começar como uma espécie de pinta ou mancha sobre a pele (um pequeno tumor cutâneo pigmentado ou colorido), mais frequente nas partes do corpo que ficam expostas ao sol. Geralmente os tumores são de cor marrom ou preta, mas alguns melanomas não são pigmentados e essa “pinta” pode aparecer nas cores rosa, bege ou branca.2,4

A pele de qualquer parte do corpo pode apresentar o desenvolvimento do melanoma, como palmas das mãos, unhas e sola dos pés. Entretanto, o melanoma é mais comum no tronco (especialmente nos homens), nas pernas (especialmente nas mulheres), no pescoço e no rosto.2-6 Melanomas também podem se formar em outras partes do corpo, como olhos, boca, órgãos genitais e região anal; mas estes são muito menos frequentes do que os melanomas de pele.2,4

Nos últimos 40 anos, tem aumentado o número de casos de melanoma.5 A doença é mais frequente em pessoas de pele clara, mas afrodescendentes não estão livres da doença.6 O melanoma também é mais comum em adultos, embora às vezes seja encontrado em crianças e adolescentes.5

Apesar de representar apenas 4% dos casos de câncer de pele, o melanoma é responsável por cerca de 90% das mortes relacionadas ao câncer de pele. Isso porque o melanoma é um câncer agressivo que tende a se espalhar rapidamente para outras partes do corpo em um processo chamado metástase. No entanto, se descoberto em estágios iniciais, o melanoma é quase sempre curável.2,4,6

A forma mais grave de câncer de pele ocorre quando tumores do melanoma originalmente localizados na epiderme (camada mais externa da pele) invadem camadas mais profundas da pele e ganham acesso a outras partes do organismo, como gânglios linfáticos, cérebro, fígado, pulmões e ossos. Neste caso, o melanoma é conhecido como melanoma avançado ou melanoma metastático (estágios IV) e pode levar à morte.7

Avanços recentes na compreensão das mutações genéticas que levam ao desenvolvimento do melanoma trouxeram desenvolvimento de novas terapias muito promissoras. Para saber se podem se beneficiar dessas novas terapias, os pacientes precisam fazer alguns testes e exames que indicam quais as mutações genéticas cada paciente apresenta (como BRAF, CDKN2A, NRAS, KIT) e, com isso, qual o melhor tipo de tratamento para cada um.8-10

Atualmente, a terapia-alvo representa um dos tipos de tratamentos mais promissores para pacientes com melanoma avançado que apresentam mutações genéticas, proporcionando a diminuição da progressão da doença, maior tempo de vida, menos efeitos colaterais e consequentemente melhor qualidade de vida aos pacientes.8,9 Para se beneficiar das terapias-alvo, é imprescindível que pacientes com câncer metastático realizem exames para verificar a presença de alterações genéticas.10,11 Para se ter uma ideia, as terapias alvo trazem benefícios clínicos para mais de 90% dos pacientes com um tipo de mutação chamada BRAF, promovendo o controle da doença em longo prazo mantendo a qualidade de vida dessas pessoas.12


Referências

1. Skin Cancer Foundation. Skin Cancer Information. Disponível em: http://www.skincancer.org/skin-cancer-information Acesso em janeiro de 2017.
2. American Cancer Society. Melanoma Skin Cancer. Disponível em: http://www.cancer.org/cancer/skincancer-melanoma/detailedguide/melanoma-skin-cancer-what-is-melanoma Acesso em janeiro de 2017.
3. INCA. Pele melanoma. Disponível em: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/pele_melanoma/definicao+ Acesso em janeiro de 2017.
4. Instituto Oncoguia. Sobre o câncer de pele melanoma. Disponível em: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/sobre-o-cancer/551/138/ Acesso em janeiro de 2017.
5. NIH-National Cancer Institute. Melanoma treatment (PDQ®)–patient version. Disponível em: https://www.cancer.gov/types/skin/patient/melanoma-treatment-pdq Acesso em janeiro de 2017.
6. A. C. Camargo Câncer Center. Pele melanoma. Disponível em: http://www.accamargo.org.br/tudo-sobre-o-cancer/pele-melanoma/31/ Acesso em janeiro de 2017.
7. Melanoma Research Foundation. Metastatic melanoma. Disponível em: https://www.melanoma.org/understand-melanoma/what-is-melanoma/metastatic-melanoma Acesso em janeiro de 2017.
8. BMC Medicine. Therapy for metastatic melanoma: the past, present, and future. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3308914/pdf/1741-7015-10-23.pdf Acesso em janeiro de 2017.
9. Biomed Research International. Novel approaches to treatment of advanced melanoma: a review on targeted therapy and immunotherapy. Disponível em: https://www.hindawi.com/journals/bmri/2015/851387/ Acesso em janeiro de 2017.
10. Journal of the German Society of Dermatology. Malignant melanoma S3-guideline “diagnosis, therapy and follow-up of melanoma”. Disponível em: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/ddg.12113_suppl/epdf Acesso em janeiro de 2017.
11. British Journal of Dermatology. BRAF mutation testing algorithm for vemurafenib treatment in melanoma: recommendations from an expert panel. Disponível em: http://onlinelibrary.wiley.com/wol1/doi/10.1111/bjd.12248/full Acesso em janeiro de 2017.
12. Lancet. 2015 Aug 1;386(9992):444-51. doi: 10.1016/S0140-6736(15)60898-4. Dabrafenib and trametinib versus dabrafenib and placebo for Val600 BRAF-mutant melanoma: a multicentre, double-blind, phase 3 randomised controlled trial. Long GV, Stroyakovskiy D, Gogas H, Levchenko E, de Braud F, Larkin J, Garbe C, Jouary T, Hauschild A, Grob JJ, Chiarion-Sileni V, Lebbe C, Mandalà M, Millward M, Arance A, Bondarenko I, Haanen JB, Hansson J, Utikal J, Ferraresi V, Kovalenko N, Mohr P, Probachai V, Schadendorf D, Nathan P, Robert C, Ribas A, DeMarini DJ, Irani JG, Swann S, Legos JJ, Jin F, Mookerjee B, Flaherty K..