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Viver por mais tempo e com melhor qualidade de vida. Quem não quer? Se há poucos anos, menos de uma década atrás, as respostas e perspectivas não eram tão boas para quem recebia o diagnóstico do melanoma metastático, a situação hoje felizmente é outra!1,2

O tratamento de poucos cânceres evoluiu tanto e tão rapidamente como o do melanoma metastático. Cientistas e médicos do mundo todo avançaram muito na compreensão da biologia desses tumores e também em formas mais eficazes de barrar ou desacelerar sua progressão. E não para por aí: muitos estudos ainda estão em andamento e as expectativas são cada vez melhores.1,2

Se até 2011 os pacientes com melanoma metastático tinham poucas opções de tratamento,3 considerando que as quimioterapias tinham uma resposta baixa (5-20%) e não representavam melhora na sobrevida,4 as coisas começaram a mudar com a descoberta das terapias alvo e imunoterapias para o melanoma metastático.1,2

As novas descobertas podem proporcionar maior sobrevida aos pacientes com melanoma mestastático em comparação aos tratamentos disponíveis anteriormente.

Mas o que são terapias alvo?

As pesquisas mais recentes em câncer buscaram entender como funcionam as células dos tumores, como é seu metabolismo e quais vias levam a sua proliferação, permitindo que o tumor se mantenha vivo e cresça. Com base nesse novo conhecimento, foi possível desenvolver novos medicamentos específicos para atuar nas alterações encontradas em cada tipo de célula tumoral, bloqueando seu crescimento.5

Então, para o médico saber que tipo de medicamento pode beneficiar cada paciente, é preciso fazer uma análise bem detalhado das características genéticas do tumor, buscando mutações que indiquem que a presença de uma via alterada: o teste genético. 5

No caso do melanoma metastático, cerca de 50% dos pacientes têm uma mutação já conhecida da medicina, no gene chamado BRAF.6 As células com o gene BRAF carregando a mutação ativam uma via que estimulam a proliferação celular, levando ao crescimento do tumor.7,8 A terapia alvo para o melanoma metastático age especificamente nessa via, controlando o crescimento do tumor, enquanto preserva as células saudáveis do organismo.9,10

Como posso saber se tenho a mutação do gene BRAF?

A única forma de saber se você tem a mutação do gene BRAF é fazendo o teste genético. Por isso, se você foi diagnosticado com melanoma metastático, converse com seu médico para que ele solicite o teste genético. Somente com resultado do seu teste genético seu médico poderá saber se você pode se beneficiar das terapias alvo.11

E se eu não tiver mutação no gene BRAF?

É importante ressaltar que pacientes sem a mutação BRAF ainda contam com um amplo arsenal terapêutico que inclui cirurgia, quimioterapia, radioterapia e imunoterapia.11 Além disso, com as pesquisas em andamento, espera-se o desenvolvimento de terapias alvo capazes de atuar em outras vias com mutação já conhecidas nos melanomas metastáticos, como c-KIT e NRAS, trazendo novas perspectivas também para esses grupos de pacientes.1

O que são imunoterapias?

A imunoterapia é um tratamento que usa o próprio sistema imunológico de uma pessoa para combater doenças como o câncer. Isso pode ser feito de várias maneiras, como estimulando o sistema imunológico do paciente a trabalhar mais para atacar células ‘doentes’, ou inserindo algumas proteínas produzidas em laboratório. Nas últimas décadas, a imunoterapia se tornou uma ferramenta importante no tratamento de alguns tipos de cânceres, incluindo o melanoma metastático.12

O que é o tratamento adjuvante?

Além dos avanços descritos acima, pacientes com melanoma em outros estágios também podem se beneficiar dos recentes tratamentos adjuvantes. O tratamento adjuvante do melanoma consiste na administração de um ou mais medicamentos depois da retirada do tumor por meio de uma cirurgia, com o objetivo de melhorar a sobrevida dos pacientes, retardando ou diminuindo o risco de o câncer voltar a aparecer.13,14

No melanoma, a terapia adjuvante vem sendo utilizada para pacientes considerados com risco moderado ou alto de adjuvância – ou seja, de o câncer voltar após a cirurgia. A radioterapia pode ser recomendada como um tratamento ajudvante, assim como a imunoterapia e as terapias-alvo, que podem retardar ou até prevenir o retorno da doença.13

A decisão sobre a necessidade de um tratamento adjuvante no melanoma e qual a melhor opção para cada paciente deve ser cuidadosamente discutida com a equipe de tratamento de acordo com o estágio do melanoma, suas características genéticas (como a presença de mutações no gene BRAF), levando também em consideração a idade do paciente, a existência de outras doenças e as preferências pessoais.13,14

Saiba mais sobre o tratamento do melanoma metastático!


Referências

1. Lindsay CR, Spiliopoulou P, Waterston A. Blinded by the light: why the treatment of metastatic melanoma has created a new paradigm for the management of cancer. Therapeutic Advances in Medical Oncology. 2015;7(2):107-121. doi:10.1177/1758834014566619.
2. Targeted Oncology. Factors to Consider in Treating Metastatic Melanoma. Disponível em: http://www.targetedonc.com/case-based-peer-perspectives/melanoma/luke-malignant-melanoma/factors-to-consider-in-treating-metastatic-melanoma. Acesso em novembro de 2017.
3. Jang S, Atkins MB. Which drug, and when, for patients with BRAF-mutant melanoma? Lancet Oncol. 2013;14(2):e60-e69.
4. BHATIA S, TYKODI SS, THOMPSON JA. Treatment of Metastatic Melanoma: An Overview. Oncology (Williston Park, NY). 2009;23(6):488-496.
5. National Cancer Institute. Targeted Cancer Therapies. Disponível em: https://www.cancer.gov/about-cancer/treatment/types/targeted-therapies/targeted-therapies-fact-sheet. Acesso em novembro de 2017.
6. American Cancer Society. Targeted Therapy for Melanoma Skin Cancer. Disponível em: https://www.cancer.org/cancer/melanoma-skin-cancer/treating/targeted-therapy.html. Acesso em novembro de 2017.
7. C.Camargo Cancer center. Diferenciação dos melanomas possibilita novas terapias para os tipos mais agressivos da doença. Disponível em: http://www.accamargo.org.br/noticias/diferenciacao-dos-melanomas-possibilita-novas-terapias-para-os-tipos-mais-agressivos-da-doenca-/454/ Acesso em outubro de 2017.
8. Net. Melanoma – Treatment Options. Disponível em http://www.cancer.net/cancer-types/melanoma/treatment-options. Acesso em outubro de 2017.
9. C.Camargo Cancer center. Novas fronteiras da quimioterapia: próximos passos serão guiados pelo entendimento molecular das doenças oncológicas. Disponível em: http://www.accamargo.org.br/noticias/novas-fronteiras-da-quimioterapia-proximos-passos-serao-guiados-pelo-entendimento-molecular-das-doencas-oncologicas/538 Acesso em outubro de 2017.
10. Skin Cancer Foundation. Treatments for stage III and stage IV melanoma. Disponível em http://www.skincancer.org/skin-cancer-information/melanoma/melanoma-treatments/advanced-treatment. Acesso em janeiro de 2017.
11. Melamoma Just Got Personal. Testing & Treatment. Disponível em: http://www.melanomajustgotpersonal.com/advanced-melanoma-testing-and-treatment/. Acesso em outubro de 2017.
12. American Cancer Society. What Is Cancer Immunotherapy? Disponível em: https://www.cancer.org/treatment/treatments-and-side-effects/treatment-types/immunotherapy/what-is-immunotherapy.html. Aceso em novembro de 2017.
13. Melanoma Research Foundation. Adjuvant Therapy. Disponível em: https://www.melanoma.org/understand-melanoma/melanoma-treatment/adjuvant-treatment. Acesso em abril de 2019.
14. Up to date. Adjuvant therapy for cutaneous melanoma. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/adjuvant-therapy-for-cutaneous-melanoma. Acesso em abril de 2019.

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