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A leucemia mieloide aguda (LMA) progride muito rápido e o tratamento deve ser iniciado imediatamente, logo após o diagnóstico. O objetivo do tratamento é atingir a completa remissão da doença, quando as células doentes (leucêmicas) não são mais detectáveis no corpo do paciente.1

Como o tratamento “tem urgência” e devido ao baixo número de glóbulos brancos e riscos de infecção, os pacientes devem permanecer no hospital por cerca de três semanas.2 Após a realização dos exames necessários e detecção do subtipo de LMA, o tratamento é feito em duas etapas: terapia de indução e a de consolidação.3

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Terapia de indução e terapia de consolidação

Na terapia de indução o objetivo é destruir as células doentes do sangue e da medula óssea para que o paciente entre em remissão, ou seja, fique sem sintomas da LMA.3 Uma amostra da medula óssea é coletada de 7 a 10 dias após o início do tratamento para avaliar a eficácia. Se a remissão não for alcançada, outro tratamento é administrado.4

Se a remissão for alcançada, um tratamento adicional poderá ser necessário para “matar” eventuais células doentes remanescentes e ajudar a prevenir uma possível recaída. Essa é a chamada terapia de consolidação.4

É importante saber que mesmo na remissão, quando não há sinais e sintomas da LMA, a doença ainda pode estar lá. Por isso, o acompanhamento regular com o hematologista é imprescindível.

Tipos de tratamento para a LMA

Durante o tratamento da LMA você pode receber mais de um tipo de tratamento, os principais são:3

    • Quimioterapia: Medicamentos que agirão para eliminar as células doentes ou cancerígenas, podendo ser por injeção na veia ou via oral. A quimio pode ser usada tanto na fase de indução da remissão, quanto na terapia de consolidação. Os efeitos colaterais variam de acordo com o medicamento administrado no tratamento. Queda dos cabelos, náuseas e vômitos são os sintomas mais comuns. Outra questão importante para se atentar é que a quimioterapia pode afetar a fertilidade por isso é importante que o paciente converse com o médico caso essa seja uma preocupação, para que juntos tomem as medidas e decisões necessárias.2
    • Transplante de células-tronco: Neste tratamento você recebe, de um doador, células-tronco que podem transformar-se em células sanguíneas saudáveis, repondo as células que foram eliminadas com a quimioterapia. Esse tipo de tratamento é recomendado na fase de consolidação, mas deve-se levar em conta os riscos e outros fatores que podem impactar, como o tipo/subtipo de LMA, histórico dos tratamentos anteriores e a idade.2 O tratamento é considerado eficaz quando os níveis de hemograma estão adequados e quando há remissão do câncer.5 Os efeitos colaterais são semelhantes aos da quimioterapia, com náuseas, vômitos e infecções, também, outros sintomas podem ocorrer após o tratamento, em meses ou até anos depois, como infertilidade, problemas de tireoide, catarata e chances de desenvolver outro tipo de câncer.6
    • Radioterapia: Raios X com alta carga podem destruir as células doentes. Normalmente, essa terapia é feita quando o câncer se espalha para o cérebro ou para reduzir o tamanho de um tumor. Os efeitos colaterais vão depender do tipo de LMA que está sendo tratada, do estágio da doença e da saúde geral do paciente. Os mais comuns são fadiga, alterações na pele (coceiras, descamação, bolhas), queda dos cabelos, dificuldade de engolir, incontinência, alterações hormonais e sexuais, tosses e febres, que podem se manifestar até seis semanas após a exposição aos raios X.7
    • Terapias-alvo: Tratamentos que agem especificamente nas células cancerígenas e proteínas responsáveis pelo crescimento e disseminação das células leucêmicas, protegendo as células saudáveis do organismo. É importante conhecer as mutações específicas que levaram ao desenvolvimento da LMA, como nos genes FLT3, IDH1 e IDH2, c-KIT ou RAS, para individualização do melhor plano de tratamento. Esse tipo de tratamento pode ser administrado em conjunto com outras terapias citadas acima.8

Novas perspectivas no tratamento da LMA

Mutação do gene FLT3

FLT3 é a mutação mais comum em pessoas com LMA,9 e se manifesta com uma alta carga leucêmica.10 A mutação pode ser identificada a partir do sangue periférico ou da medula óssea. As amostras colhidas são testadas para analisar a existência da mutação nas células.11

Essa identificação é muito importante, pois indicará se o paciente com a mutação no gene FLT3 é candidato para as terapias com medicamentos específicos para este tipo de leucemia mieloide aguda. Há poucos anos, quem sofria com a mutação FLT3 recebia o tratamento com quimioterapia, que não se mostrava eficaz quando se tratava de taxa de sobrevivência.11

Entretanto, uma nova classe de medicamentos tem mudado a história de pacientes e suas perspectivas de vida. Esse tipo de remédio inibe o FLT3 e outras proteínas nas células doentes. Um estudo publicado pelo The New England Journal of Medicine analisou os impactos dessa terapia e a conclusão foi a de que o tempo médio de sobrevida foi superior a seis anos no grupo que tomou o medicamento e pouco mais de dois anos no grupo que tomou o placebo.11


Referências

1. Leukemia and Lymphoma Society. Acute Myeloid Leukemia Treatment. Disponível em: http://www.lls.org/leukemia/acutemyeloid-leukemia/treatment Acesso em dezembro de 2020.
2. American Society of Clinical Oncology. Leukemia – Acute Myeloid – AML: Treatment Options. Disponível em: http://www.cancer.net/cancer-types/leukemiaacute-myeloid-aml/treatment-options Acesso em dezembro de 2020.
3. WebMd. Acute Myeloid Leukemia (AML). Disponível em: http://www.webmd.com/cancer/lymphoma/acute-myeloid-leukemia-symptoms-treatments#1 Acesso em dezembro de 2020.
4. NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology (NCCN Guidelines®) Version 2.2016. Acuate Myeloid Leukemia. Disponível em: http://www.nccn.org/professionals/physician_gls/pdf/aml.pdf Acesso em dezembro de 2020.
5. American Society of Clinical Oncology. What is bone marrow transplant? Disponível em: https://www.cancer.net/navigating-cancer-care/how-cancer-treated/bone-marrowstem-cell-transplantation Acesso em janeiro de 2021.
6. American Society of Clinical Oncology. Side effects of a bone marrow transplant. Disponível em: https://www.cancer.net/navigating-cancer-care/how-cancer-treated/bone-marrowstem-cell-transplantation/side-effects-bone-marrow-transplant-stem-cell-transplant Acesso em janeiro de 2021.
7. American Society of Clinical Oncology. Side effects of radiation therapy. Disponível em: https://www.cancer.net/navigating-cancer-care/how-cancer-treated/radiation-therapy/side-effects-radiation-therapy Acesso em janeiro de 2021.
8. American Cancer Society. Targeted Therapy Drugs for Acute Myeloid Leukemia (AML). Disponível em: https://www.cancer.org/cancer/acute-myeloid-leukemia/treating/targeted-therapy.html Acesso em janeiro de 2021.
9. Patel JP, Gönen M, Figueroa ME et al. Prognostic relevance of integrated genetic profiling in acute myeloid leukemia. N Engl J Med. 2012;366(12):1079-1089.
10. Daver, N., Schlenk, R.F., Russell, N.H. et al. Targeting FLT3 mutations in AML: review of current knowledge and evidence. Leukemia 33, 299–312 (2019). https://doi.org/10.1038/s41375-018-0357-9 .
11. Healthline. What is FLT3 mutation?. Disponível em: http://www.healthline.com/health/aml/flt3-mutation Acesso em dezembro de 2020.

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