O que é leucemia mieloide aguda (LMA)?

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A LMA é mais comum em pessoas acima dos 60 anos1

Assim como outras leucemias, a leucemia mieloide aguda (LMA) é um tipo de câncer do sangue com origem na medula óssea, estrutura interna e mole no interior de alguns dos nossos ossos. A doença acontece a partir de uma mutação em um ou mais genes responsáveis pela formação das células sanguíneas, e entre outros efeitos, prejudica o combate de infecções pelo organismo.2

Existem alguns tipos de leucemia e há quatro classificações que nos ajudarão a entender, e diferenciar melhor a LMA. São elas:3

  • Leucemia aguda: aquela que tem o crescimento acelerado
  • Leucemia crônica: que tem crescimento mais lento
  • Leucemia mieloide: que tem origem nas células mielodes
  • Leucemia linfoide: que tem origem nas células linfóides

Assim, as leucemias podem ter crescimento acelerado ou lento, e início nas células mieloides ou linfoides.

As leucemias mieloides

As células mieloides têm o papel de formar os glóbulos vermelhos (hemácias), as plaquetas e grande parte dos glóbulos brancos (leucócitos, células do sistema imunológico). Quando as células cancerígenas têm origem mieloide, a leucemia é chamada de leucemia mielogênica ou mieloide. No caso das células linfoides, que dão origem aos linfócitos (um outro tipo de glóbulos brancos), a leucemia é a linfoide ou linfocítica.1

 

A leucemia mieloide aguda é um câncer do sangue e da medula óssea, que se desenvolve rapidamente e tem evolução acelerada. A LMA pode avançar para o fígado, baço, cérebro, gânglios linfáticos e testículos – a chamada metástase. Por sua gravidade, é fundamental que o tratamento seja iniciado rapidamente.3

 

Mas por que a LMA acontece?

Normalmente, as células recebem instruções do DNA contido nelas sobre quando devem crescer, se multiplicar e até quando devem morrer. Na LMA, por causa de uma mutação genética, a instrução que as células recebem é de continuar a crescer e se dividir, dando origem à formação de blastos (mieloblastos), que são células que ainda não amadureceram como deveriam e começam a se reproduzir de forma descontrolada, atrapalhando a formação de células saudáveis.1,4

Ainda não se sabe o que causa as mutações no DNA, mas há alguns fatores de risco como:4

  • Pessoas acima dos 60 anos
  • Já ter realizado quimioterapia e radioterapia antes
  • Exposição a produtos químicos
  • Distúrbios genéticos como a síndrome de Down e outros

Quais são os sintomas da LMA?

Como a LMA é um tipo de leucemia aguda, ou seja, de progressão rápida, seus sintomas tendem a se manifestar de maneira acelerada. Em poucas semanas é possível notar os sinais, que vão se tornando mais graves com o aumento desenfreado do número de blastos, as células imaturas.2,5

Alguns dos principais sintomas da LMA são:2

  • Febre
  • Dor de cabeça
  • Sangramentos gengivais
  • Fadiga
  • Aumento do fígado ou do baço
  • Perda de peso e falta de apetite

Como esses sinais parecem sintomas de uma gripe simples, fique atento aos fatores de risco para o desenvolvimento da LMA e busque um hematologista se suspeitar da doença. Se você tem mais de 60 anos ou já fez tratamento contra o câncer, tenha atenção redobrada aos sinais e procure ajuda médica o quanto antes. Saiba mais sobre os sinais e sintomas da LMA.

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Tipos e subtipos de LMA

Embora seja uma doença única, a LMA tem características genéticas diferentes entre os pacientes. Nos últimos anos, com avanço sem precedentes no nosso entendimento sobre os cânceres, os subtipos da doença vêm sendo estudados a fundo e entender a composição genética das suas células doentes ajudará o médico na decisão do plano de tratamento mais adequado.

Hoje já se sabe, por exemplo, que pessoas com determinadas mutações respondem melhor ou pior a determinados tratamentos, ou ainda que têm uma perspectiva melhor de sobrevida. Por isso, o teste genético tornou-se tão importante.6

Mutação no gene FLT3: a mais comum na LMA

A mutação no gene FLT3 é a mais comum em pessoas com LMA,7 e está relacionada a um prognóstico menos favorável.8 A boa notícia é que hoje já é possível detectá-la por meio de exames genéticos, e que há tratamento específico que age para inibir essa mutação em pessoas com LMA.

Tratamento da LMA hoje

O tratamento da LMA, normalmente, tem duas fases: indução e consolidação, que são acompanhadas pelo hematologista, especialista em alterações no sangue e/ou oncologista, especialista no tratamento do câncer. Na primeira fase, o objetivo é destruir as células doentes do sangue e medula óssea; na segunda, a observação e avaliação são importantes para verificar se ainda há células leucêmicas e destruí-las para que a doença não retorne.2

Saiba mais sobre os tipos de tratamento para leucemia mieloide aguda.

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Referências

1. ABRALE. Leucemia Mielogênica Aguda O que é. Disponível em: https://www.abrale.org.br/doencas/leucemia/lma/o-que-e/. Acesso em dezembro de 2020.
2. WebMd. Acute Myeloid Leukemia (AML). Disponível em: https://www.webmd.com/cancer/lymphoma/acute-myeloid-leukemia-symptoms-treatments#1. Acesso em dezembro de 2020.
3. American Cancer Society. What Is Acute Myeloid Leukemia (AML)? Disponível em: https://www.cancer.org/cancer/acute-myeloid-leukemia/about/what-is-aml.html. Acesso em dezembro de 2020.
4. Mayo Clinic. Acute myelogenous leukemia. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/acute-myelogenous-leukemia/symptoms-causes/syc-20369109. Acesso em dezembro de 2020.
5. NHS. Acute myeloid leukaemia. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/acute-myeloid-leukaemia/symptoms/. Acesso em dezembro de 2020.
6. American Cancer Society. Acute myeloid leukemia (AML) subtypes and prognostic factors. Disponível em: http://www.cancer.org/cancer/acute-myeloid-leukemia/detection-diagnosis-staging/how-classified.html. Acesso em dezembro de 2020.
7. Patel JP, Gönen M, Figueroa ME et al. Prognostic relevance of integrated genetic profiling in acute myeloid leukemia. N Engl J Med. 2012;366(12):1079-1089.
8. Daver, N., Schlenk, R.F., Russell, N.H. et al. Targeting FLT3 mutations in AML: review of current knowledge and evidence. Leukemia 33, 299–312 (2019).: https://doi.org/10.1038/s41375-018-0357-9.