Insuficiência cardíaca e sua qualidade de vida

31.03.2016

Insuficiência cardíaca e sua qualidade de vida

A insuficiência cardíaca pode afetar aspectos mais distintos na vida dos pacientes e de seus familiares. Desde o impacto na saúde emocional, até as mudanças em suas relações financeiras, sexuais, de lazer e trabalho, por exemplo.1

 

O mais importante é estar atento a cada uma dessas manifestações e ter um diálogo aberto com seu médico cardiologista que acompanha a insuficiência cardíaca, para que juntos vocês possam buscar caminhos e alternativas para superar cada desafio!2

 

Depressão

A insuficiência cardíaca pode acarretar problemas emocionais em uma grande parte dos pacientes, seus familiares e para a sociedade como um todo.1 Tanto a habilidade social quanto a saúde emocional de quem vive com IC insuficiência cardíaca ficam abaladas.1 O relato de sintomas consistentes com a depressão entre as pessoas com insuficiência cardíaca chega a 63%.3

 

As pessoas com insuficiência cardíaca que estão passando por essas situações devem conversar abertamente com seus médicos, na tentativa de encontrar soluções e tratamento para as consequências da insuficiência cardíaca. Essa relação aberta e de confiança com o médico que acompanha o tratamento pode trazer resultados significativos na melhoria da qualidade de vida das pessoas com IC.2

 

Sexo

Muitas pessoas podem achar que não é possível manter relações sexuais quando se tem insuficiência cardíaca mas isso não é verdade.

 

Os pacientes com IC podem fazer sexo, desde que estejam se sentindo bem e que os sintomas estejam controlados e sempre com a orientação de seu médico.4

 

Algumas dicas podem ajudá-lo a ficar mais tranquilo e confiante:4

  • prefira ter relações sexuais quando estiver relaxado e descontraído;
  • evite o sexo após refeições pesadas e/ou ingestão de bebidas alcóolicas;
  • escolha lugares confortáveis, não muito quentes nem frios;
  • utilize as preliminares para ajudar o corpo a “entrar no clima” e habituar-se aos poucos com a atividade sexual;
  • evite posições cansativas e que provoquem falta de ar ou algum outro tipo de mal-estar.

 

Além disso, o diálogo com o médico e também com seu parceiro sobre os desafios que você está enfrentando pode ser um passo importante para a busca de alternativas e melhorias na sua vida sexual. Não há razão para se sentir constrangido, resolver qualquer problema é muito mais importante!2

 

Lazer e amigos

A realização de atividades lúdicas e práticas de esporte contribuem para reduzir as chances de desenvolver a insuficiência cardíaca e ajudam a levar uma vida saudável.3,5

 

Se você convive com a insuficiência cardíaca, não desista dessas atividades. Faça os ajustes que achar necessários em sua rotina, mas acredite que estar próximo aos amigos pode ser um ótimo aliado. Convide-os para se exercitar, realizar atividades prazerosas e, claro, com acompanhamento e/ou recomendação do seu médico e dentro dos seus limites.5

 

Trabalho e Dinheiro

Os efeitos da insuficiência cardíaca podem, dependendo do tipo de atividade de trabalho exercida pelo paciente e de seus vínculos empregatícios, trazer transtornos financeiros, como quedas nos rendimentos e ganhos do trabalho.6

 

Vale a pena verificar se você tem direito a algum benefício assistencial ou previdenciário. Outra opção é avaliar com seu empregador se há algum ajuste que pode ser feito em sua função que te permita continuar trabalhando, com a flexibilidade necessária.6

 

Por fim, mais uma vez, vale trazer o tema para uma conversa com o médico. Ele poderá te colocar em contato com um assistente social ou outro profissional da equipe multidisciplinar capaz de te ajudar também com esta questão.6

 

Sentimento de culpa

São recorrentes os casos de pessoas com insuficiência cardíaca que abusaram por muitos anos de um estilo de vida ruim (alimentação pouco saudável e sedentarismo) e que, por isso, se sentem tão culpados pelo desenvolvimento da doença que ficam “paralisadas”. Não conseguem buscar o apoio que precisam para o tratamento da insuficiência cardíaca.7-10

 

É muito importante que o paciente procure a ajuda de um psicólogo e faça um acompanhamento psicoterapêutico, para que consiga olhar adiante e enxergar que ainda pode ter muitos anos de vida com qualidade.7-10

 

Se você não sabe onde procurar esse tipo de ajuda, converse com seu médico e/ou busque apoio em uma associação de pacientes.7-10

 

Família

Quando pensamos na insuficiência cardíaca e nas relações familiares, há dois aspectos que precisam ser abordados. Primeiramente, é preciso lembrar que muitas doenças cardíacas que podem levar ao desenvolvimento da insuficiência cardíaca (como o infarto) podem ter um componente hereditário.11 Dessa forma, os familiares de pessoas com insuficiência cardíaca devem ter atenção redobrada aos fatores de risco para o desenvolvimento de doenças que podem causar IC, aprender a observar os sinais do seu corpo e, principalmente, buscar a prevenção da insuficiência cardíaca por meio de um estilo de vida saudável e acompanhamento médico.11

 

Outro aspecto é cuidado e a atenção da família ao paciente com insuficiência cardíaca. Para se ter uma ideia, cerca de 40 % das pessoas com IC relatam sofrer de ansiedade.12 Apesar dessa dificuldade, a atenção e o carinho desprendidos ao paciente são fundamentais, inclusive, como apoio psicológico para enfrentar as barreiras que surgem com a doença e no processo de reabilitação do paciente.7

 


Referências

1. Calvert MJ, Freemantle N, Cleland JGF. The impact of chronic heart failure on health-related quality of life data acquired in the baseline phase of the CARE-HF study. Eur J Heart Fail. 2005;7(2):243-251.
2. Heart Failure Matters. Managing your medicine. Disponível em: http://www.heartfailurematters.org/en_GB/What-can-you-do/Managing-your-medicines (Acessado em 07/07/2017).
3. Wang Y, Tuomilehto J, Jousilahti P, et al. Occupational, commuting, and leisure-time physical activity in relation to heart failure among finnish men and women. J Am Coll Cardiol. 2010 Sep 28;56(14):1140-8.
4. Heart Failure Matters. Sex and Heart Failure. Disponível em: http://www.heartfailurematters.org/en_GB/Living-with-Heart-Failure/Sex-and-heart-failure (Acessado em 07/07/2017).
5. Heart Failure Matters. Relationships. Disponível em: http://www.heartfailurematters.org/en_GB/Living-with-Heart-Failure/Relationships (Acessado em 07/07/2017).
6. Heart Failure Matters. Financial concerns. Disponível em: http://www.heartfailurematters.org/en_GB/For-caregivers/Financial-concerns (Acessado em 07/07/2017).
7. Heart Failure Matters. Talking to your family/carer about how you feel. Disponível em: http://www.heartfailurematters.org/en_GB/Living-with-Heart-Failure/Talking-to-your-family-carer-about-how-you-feel (Acessado em 07/07/2017).
8. Heart Failure Matters. Dealing with your emotions. Disponível em: http://www.heartfailurematters.org/en_GB/Living-with-Heart-Failure/Dealing-with-your-emotions (Acessado em 07/07/2017).
9. Heart Failure Matters. Support. Disponível em: http://www.heartfailurematters.org/en_GB/Living-with-Heart-Failure/Support (Acessado em 07/07/2017).
10. Moser DK, Dracup K, Evangelista LS, et al. Comparison of prevalence of symptoms of depression, anxiety and hostility in elderly heart failure, myocardial infarction and coronary artery bypass graft patients. Heart Lung. 2010 Sep-Oct;39(5):378-85.
11. American Heart Association. Family history and heart disease, stroke. Disponível em: http://www.heart.org/HEARTORG/Conditions/More/MyHeartandStrokeNews/Family-History-and-Heart-Disease-Stroke_UCM_442849_Article.jsp#.WV-Qp9IrK72 (Acessado em 07/07/2017).
12. Heart Failure Matters. Planning for the end of life. Disponível em: http://www.heartfailurematters.org/en_GB/Living-with-Heart-Failure/Planning-for-the-end-of-life (Acessado em 07/07/2017).

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