Tratamento da Esclerose Múltipla: como funciona?

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Depois do diagnóstico da doença, o tratamento da esclerose múltipla (EM) deve ser prescrito de acordo com o tipo de EM. O tratamento pode envolver medicamentos, terapias alternativas e mudanças de hábitos. 

Os estudos sobre tratamento da esclerose múltipla evoluíram nos últimos 20 anos e, por isso, existem opções variadas para diminuir os surtos da EM ou até mesmo atrasar a progressão dela. Falando especificamente de medicamentos, alguns tratamentos usam injeção (subcutânea ou instramuscular) ou intravenosa (infusão)outros são administrados  por via oral.

Objetivos do tratamento da esclerose múltipla 

Depois do diagnóstico, é hora de começar o tratamento! Seu objetivo costuma ser controlar os sintomas, diminuir a frequência de surtos e reduzir a progressão da doença.

Com o tratamento adequado, quem sofre com a EM pode passar longos períodos sem surtos e ter uma rotina ativa com exercícios (qualidade de vida é muito importante, hein?). Nada de ignorar os sintomas da esclerose só porque elas podem não estar presentes!  Quanto antes você passar por um(a) neurologista para receber o diagnóstico, mais rápido começa o tratamento. 

Então, mesmo que a doença não tenha cura, o tratamento da esclerose múltipla é primordial para ter uma vida melhor.

Medicamentos  para tratar a esclerose múltipla 

Normalmente, os corticosteroides, junto com pulsoterapia (administração de doses altas de medicamento pela veia), são utilizados para reduzir a intensidade dos surtos. Os corticosteroides são anti-inflamatórios  utilizados por períodos breves e amenizam a piora dos sintomas que podem levar consequências como perda de visão, força ou coordenação.  

Se os corticosteroides não forem eficazes para reduzir a gravidade dos sintomas, pode-se opetar pela plasmaférese. Esse tipo de tratamento é parecido com uma hemodiálise, nele, uma máquina remove elementos do plasma sanguíneo que possam ser responsáveis pela doença. Ela pode ser utilizada para qualquer tipo recidivante de EM (recidiva-remitente, recidiva progressiva, secundária progressiva) e não funciona para EM primária progressiva.

Já os imunossupressores (um tipo de tratamento que diminui a vontade do seu sistema imunológico de atacar suas células saudáveis) e os imunomodularores (medicamentos usados ​​para ajudar a regular ou normalizar o sistema imunológico)  ajudam a diminuir a frequência de surtos e, assim, diminuem também o impacto negativo na qualidade de vida.

Se o tipo de EM a ser tratado for a recorrente-reminente, uma opção de tratamento são as drogas modificadoras da doença. Elas possuem esse nome porque podem atrasar a progressão da esclerose múltipla e prevenir surtos. Esses medicamentos atuam moderando o sistema imunológico de forma que ele não ataque as bainhas de mielina (revestimento protetor que envolve os neurônios e que, entre outras funções, aumentam a velocidade de condução dos impulsos nervosos)

Tratamentos não medicamentosos 

Você já ouviu falar em neurorreabilitação? São cuidados interdisciplinares  que ajudam pacientes com deficiência a alcançar e manter a interação com o ambiente, ajudando na independência e integração social.

 Junto com o tratamento medicamentoso, ela é indispensável para reduzir sintomas como a espasticidade, espasmo, fadiga, depressão e etc. Entre as terapias de neurorreabilitação temos: psicologia, neuropsicologia, fisioterapia, arteterapia,  fonoaudiologia,  fisioterapia, neurovisão e terapia ocupacional.

E tem mais! Existem terapias complementares que contribuem no aspecto psicológico, na qualidade de vida, melhoram a autoestima e também ajudam na prática de atividades do dia a dia. Você pode considerar procurar por urologistas, psiquiatras, especialistas em medicina preventiva e entre outros.

Percebeu como existe um mundo de possibilidades para viver melhor com esclerose múltipla? Agora é com você! Converse com um(a) neurologista para entender qual é o melhor caminho para o seu caso.

 


Referências

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