4 indicadores da atividade da esclerose múltipla

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Você já foi alguma vez em um jogo de futebol? Consegue pensar numa relação com a esclerose múltipla? Num bom jogo, a equipe trabalha em conjunto, como se fossem um só, os jogadores se completam e antecipam os movimentos dos companheiros da equipe. Mas assistir um jogo na TV te dá uma visão completamente diferente, já que a câmera tende a focar nas capacidades de cada jogador, individualmente. Só quando tiram o zoom é que você consegue sentir como o todo da equipe funciona.

A situação é parecida quando você tenta entender ou avaliar a esclerose múltipla. Quanto mais você tenta entender profundamente cada aspecto da doença, mais parcial sua visão tende a ficar, porque a esclerose múltipla tem tantos aspectos e manifestações diferentes – são tantos jogadores trabalhando em uma mesma equipe. Você precisa tirar o zoom para conseguir enxergar a imagem toda.

Como não existe uma forma única e concreta de prever o curso da esclerose múltipla, os neurologistas usam uma combinação de diferentes indicadores para ter uma ideia de como a doença poderá progredir. Então, quais são esses indicadores que eles avaliam? Bom, existem três formas bem estabelecidas de como medir a atividade da doença: surtos, alterações físicas (incapacidade) e lesões identificadas em ressonâncias magnéticas (RMN). Seu neurologista já deve ter comentado sobre algumas dessas ou todas com você. À medida que as pesquisas avançam e aumenta nosso entendimento sobre a esclerose múltipla e o cérebro, nós também aprendemos mais sobre a importância de monitorar as alterações no tamanho do cérebro.

Vamos dar uma olhada em cada um desses indicadores

Surtos na esclerose múltipla

Os surtos também são conhecidos como exacerbações, recaídas ou crises. Sejamos realistas, ninguém gosta de ter surtos! Eles podem te imobilizar em um dia normal com um cansaço inexplicável, problemas de visão, dormência, paralisia e tonturas. Mas o que de fato ocorre? Os surtos acontecem quando os danos causados no cérebro pela esclerose múltipla impedem ou prejudicam a transmissão adequada dos sinais enviados pelos neurônios. A quantidade, o tipo e a gravidade dos sintomas, bem como sua duração, diferem não só de pessoa para pessoa, como também de surto para surto.

Os neurologistas usam a frequência com que essas recaídas ocorrem (taxa de surto) como medida da gravidade da esclerose múltipla. A forma mais comum de medir a taxa de surto é contando o número de surtos e depois calculando a média anual de surtos desde que a esclerose múltipla foi diagnosticada. Esse cálculo é chamado de taxa anual de surto.

Os surtos são um método útil para avaliar o potencial de progressão da incapacidade. Na verdade, o tempo entre os surtos e o nível de recuperação após um surto estão geralmente relacionados à incapacidade, especialmente os surtos que acontecem na fase mais precoce da doença. Contudo, também existem outros fatores importantes que moderam e têm impacto na progressão da doença. Por isso, os médicos também avaliam diretamente a progressão da incapacidade, ou as alterações físicas, além de monitorar as lesões e alterações no cérebro, como explicaremos abaixo.

Alterações físicas da EM

Tal como com os surtos, os sintomas físicos da esclerose múltipla afetam as pessoas de formas diferentes em tempos diferentes. Os surtos podem ser dolorosos, inconvenientes e assustadores, mas podem ser seguidos de recuperação completa ou parcial, especialmente para quem tem esclerose múltipla remitente-recorrente. Estudos indicaram que alguns surtos são seguidos de recuperação parcial, levando ao acúmulo da incapacidade. Infelizmente, a incapacidade costuma ser permanente e esse é um dos aspectos mais desafiadores da esclerose múltipla.

Não existe uma forma única de avaliar o quão bem seu sistema nervoso central está funcionando. Apesar disso, um método conhecido como Escala Expandida do Estado de Incapacidade (EDSS) utiliza diferentes funcionalidades de áreas distintas do sistema nervoso central (as áreas que gerenciam a capacidade de andar ou falar, por exemplo) para medir o nível de incapacidade.

Seguindo essas avaliações, é possível calcular o grau da EDSS. O resultado é uma taxa de incapacidade, numa escala de 0 a 10, com intervalos de meio ponto. Os números indicam o grau de incapacidade, o grau 6, por exemplo, indicaria que a pessoa precisaria de uma bengala ao andar.

Lesões indicadas em Imagens por Ressonância Magnética (IRM)

As imagens por ressonância magnética, ou IRM, são importantes para os neurologistas, já que este é o único método que permite observar a atividade da doença mesmo antes do aparecimento externo dos sintomas físicos. Essa técnica de imagem pode ser usada para olhar internamente em quase todas as partes do corpo – na esclerose múltipla, são usadas imagens do cérebro e da medula espinal –, de forma parecida com que o raio-X permite que os médicos vejam fotografias dos ossos. No entanto, ao contrário dos raios-X, as IRMs utilizam um campo magnético forte para criar imagens detalhadas da quantidade de água nos tecidos – e áreas danificadas do cérebro, conhecidas como lesões cerebrais, se destacam porque têm mais água do que o tecido cerebral saudável.

As IRMs são utilizadas tanto no diagnóstico da esclerose múltipla quanto no monitoramento de sua progressão. Os pesquisadores continuam buscando entender como os dados de ressonâncias magnéticas podem ser capazes de prever resultados físicos e cognitivos futuros (por exemplo, na memória, atenção ou concentração).

O procedimento da ressonância magnética é seguro e indolor, e normalmente não há necessidade de nenhuma preparação específica antes do exame, apesar de ser um pouco desconfortável para quem sofre de claustrofobia. O equipamento de RMI é basicamente um grande tubo, aberto dos dois lados, no qual você se deita numa cama. Durante o escaneamento, o técnico de radiografia verá você num monitor e poderá falar com você. À medida que a corrente elétrica do equipamento liga e desliga, ocorrem ruídos altos e, por isso, é necessário de usar fones ou protetores auriculares. O processo termina normalmente em um curto espaço de tempo (cerca de 30 minutos).

Alterações cerebrais

Fato médico: o cérebro de qualquer pessoa diminui à medida que ela envelhece (sim, é verdade!). Para pessoas com esclerose múltipla, descobriu-se que essa redução do tamanho do cérebro, atrofia cerebral, pode acontecer em um ritmo mais acelerado.

As consequências dessa redução no tamanho do cérebro não ocorrem imediatamente, e pode ser diferente em cada pessoa. Isso acontece porque o cérebro tem uma capacidade incrível de compensar os danos e criar novas ligações, novos caminhos – imagine que há uma barreira na estrada, e você precisa fazer uma rota alternativa para chegar no seu destino. Um sintoma que você pode perceber mais rapidamente é o cansaço (sim, isso pode ser contribuir ainda mais com a horrorosa fadiga da esclerose múltipla!). Devido a esse esforço extra que seu cérebro precisa fazer, você poderá se distrair mais facilmente ou ter mais dificuldade em realizar tarefas simultâneas e se concentrar – mas isso pode não afetar algumas pessoas com esclerose múltipla.

Ao longo do tempo, ao medir essas alterações do cérebro por meio de IRM, os neurologistas podem monitorar a forma como a doença está progredindo e usar essa informação para avaliar a eficácia de um tratamento. Nos últimos anos, a ênfase do tratamento mudou do gerenciamento das alterações causadas pela doença, para a priorização da prevenção de quaisquer danos no cérebro. O objetivo primordial do tratamento é proteger o cérebro o quanto antes, antes mesmo do aparecimento de sintomas físicos ou cognitivos, para que você possa continuar fazendo o que é importante para você.

Avaliando a progressão da doença

Todas essas avaliações podem parecer um pouco desencorajadoras. A esclerose múltipla em si já é muito para lidarmos, não? Mas é realmente importante continuar a consultar seu neurologista, enfermeiro ou qualquer outro profissional do seu exército pessoal contra a esclerose múltipla, seguindo a programação estipulada para você. Esses quatro indicadores, em conjunto, ajudarão seu neurologista a avaliar a progressão e a alertá-lo sobre quaisquer alterações eventualmente necessárias na administração de seu tratamento. Os resultados desses exames te darão conhecimento sobre sua esclerose múltipla. E conhecimento, como dizem, é equivalente a poder.


Referências

1. Site MedBroadcast. Disponível em: https://www.medbroadcast.com/healthfeature/gethealthfeature/power-of-four-four-indicators-of-multiple-sclerosis-activity Acesso em maio de 2021.