Existem diferentes tipos de tratamento para o câncer de mama avançado. A escolha do tratamento dependerá tanto da caracterização relacionada às alterações moleculares (receptores hormonais e HER2), quanto das características individuais do câncer de mama avançado apresentado pela paciente, como localização e tamanho dos tumores.1,2

Os tratamentos utilizados em câncer de mama podem ser divididos em:

  • Tratamentos locais: são tratamentos que abordam o tumor localmente sem afetar o resto do corpo, como cirurgia ou a radioterapia.4 No entanto, estes tratamentos apresentam bons resultados principalmente nos estágios iniciais do câncer de mama, embora possam também ser utilizados em algumas situações do câncer de mama avançado.3,4
  • Tratamentos sistêmicos: são tratamentos que utilizam a administração de medicamentos, sejam por via oral ou intravenosa, diretamente na corrente sanguínea, que tem ação no organismo como um todo. São a base do tratamento para os casos de câncer de mama avançado. A terapia hormonal, a quimioterapia, a terapia-alvo e algumas novas classes de tratamento, como exemplo a classe os inibidores de CDK 4/6, são exemplos deste tipo de abordagem terapêutica.3-5,13

Entenda cada tipo de tratamento do câncer de mama avançado ou metastático

Terapia hormonal

A terapia hormonal é utilizada nos casos de câncer de mama que apresentam positividade para receptores hormonais. O objetivo deste tipo de tratamento é impedir que os hormônios tenham ação como estimuladores do crescimento das células do câncer de mama.1,3,6

Existem diferentes medicamentos utilizados na terapia hormonal, e a escolha do mais adequado depende do estágio do câncer, além de condições clínicas da paciente.7

No câncer de mama avançado, o tratamento hormonal é uma opção de tratamento capaz de induzir remissões e apresenta menos efeitos colaterais do que a quimioterapia. Lembre-se que o tratamento é direcionado para cada paciente e são considerados vários fatores como as características do tumor e a saúde da paciente. Cada tratamento é único.7

Quando um tipo de medicamento hormonal não apresenta mais efeitos no controle do câncer (leia abaixo sobre resistência ao tratamento), geralmente o médico prescreverá um outro medicamento diferente de terapia hormonal. Existem também outros medicamentos que podem ser adicionadas à terapia hormonal e torná-la mais eficaz.1,8-9 Fale com o médico sobre as diferentes opções de tratamento e quais podem ser melhores para você.

Quimioterapia

A quimioterapia é o tratamento de doenças por meio de substâncias químicas que afetam a replicação celular.

Em geral, a quimioterapia é administrada em ciclos, com cada período de tratamento seguido por um período de descanso, para permitir que o corpo possa se recuperar. Cada ciclo de quimioterapia dura em geral algumas semanas.1,10

Os quimioterápicos estão divididos em várias classes, com base no mecanismo pelo qual interferem na divisão celular. Quimioterápicos de diferentes classes podem ser combinados para ter maior eficácia contra o câncer, mas com consequente maior toxicidade. Esta toxicidade ocorre porque a quimioterapia destrói células cancerosas e células saudáveis, o que traz muitos efeitos colaterais às pacientes.1,6,10

A quimioterapia pode reduzir os tumores com relativa rapidez. No entanto, por destruir células saudáveis, este tipo de tratamento traz muitos efeitos colaterais às pacientes. A quimioterapia também pode ser combinada com outras terapias para melhorar a resposta tumoral ao tratamento.1

Terapias-alvo

Um foco atual das pesquisas sobre o câncer de mama é encontrar medicamentos que atuem sobre moléculas específicas envolvidas no desenvolvimento, crescimento e disseminação das células do câncer de mama. O objetivo da terapia-alvo é interferir somente com os genes ou proteínas alteradas das células do câncer de mama para evitar a propagação da doença, sem atacar células saudáveis do organismo. A terapia-alvo inclui vários medicamentos, que podem apresentar diferentes mecanismos de ação, podendo atuar no receptor HER2, modular a ativação da via mTOR ou na inibição de um tipo específico de enzima chamada de CDK (cyclin-dependent kinase), mas há um número crescente de estudos sobre outras moléculas-alvo que são promissores (leia abaixo sobre os inibidores da CDK).1,5,9,12

Ao direcionar o tratamento para moléculas-alvo que são responsáveis pelo crescimento, progressão e disseminação do câncer, a terapia-alvo poupa as células saudáveis normais e apresenta menos efeitos colaterais do que a quimioterapia ou outros tratamentos.5,9

Para ajudar a identificar uma terapia-alvo adequada para cada tipo de câncer de mama, o médico pode solicitar exames para saber mais sobre características a disposição genéticas da doença e outros fatores que o tumor apresenta. A terapia-alvo pode ser utilizada conjuntamente com a quimioterapia, radioterapia ou terapia hormonal. Pacientes com câncer de mama avançado, ou pacientes que apresentem resistência a outros tratamentos podem se beneficiar com as terapias-alvos, tendo uma melhor qualidade de vida durante o tratamento.11

Inibidores CDK4/6

Novíssima classe de medicamentos, que também integram as terapia-alvo. Os inibidores da CDK 4/6 buscam inibir uma enzima específica, retomando assim o ciclo celular saudável (combatendo uma desregulação neste ciclo, que pode viabilizar o crescimento do câncer). Os inibidores da CDK 4/6 representam um novo padrão de tratamento para pacientes com câncer de mama avançado com receptor hormonal (RH) positivo, pois em combinação com hormonioterapia demonstraram aumentar significativamente o tempo livre de progressão da doença comparado à terapia hormonal isolada. Para especialistas, os resultados do estudo com a nova classe nos levam a crer que a terapia combinada com inibidores de CDK4/6 chega como um novo padrão de cuidados para o tratamento inicial de câncer de mama avançado ou metastático receptor hormonal positivo (HR+) e HER-2 negativo, sendo esse o tipo mais comum da doença (69%).13-16

Entenda a “resistência ao tratamento”

resistencia-ao-tratamento

Embora os tratamentos com hormônios e quimioterapia sejam muito eficazes, muitas das pacientes com câncer de mama avançado ou metastático podem se tornar resistentes a estas terapias em algum momento do seu tratamento. Esta resistência, ou falha no tratamento, pode ser inata (quando não há resposta ao medicamento já no início do tratamento), ou adquirida (após um período de uso do medicamento o tratamento pára de funcionar). Nestes casos, o médico verificará qual o tratamento que melhor se adequa em cada caso.17-19


Referências

1. Advanced Breast Cancer Community. Understanding abc. Disponível em: http://www.advancedbreastcancercommunity.org/understanding-abc?accordion=ooccoc Acesso em novembro de 2016.
2. Instituto Oncoguia. Importância de saber se o câncer de mama avançado tem receptores hormonais ou HER2. Disponível em: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/status-hormonal-e-her2/6243/826/ Acesso em novembro de 2016.
3. Instituto Oncoguia. Tratamento do câncer de mama avançado. Disponível em: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/tratamentos/6246/826/ Acesso em novembro de 2016.
4. American Cancer Society. How is breast cancer treated? Disponível em: http://www.cancer.org/cancer/breastcancer/detailedguide/breast-cancer-treating-general-info.
5. Memorial Sloan Kettering Cancer Center. Systemic Therapy for Breast Cancer. Disponível em: https://www.mskcc.org/cancer-care/types/breast/treatment/systemic-therapy Acesso em novembro de 2016.
6. Breast Cancer Care. Treatments for secondary breast care. Disponível em: https://www.breastcancercare.org.uk/information-support/secondary-metastatic-breast-cancer/treatments-secondary-breast-cancer Acesso em novembro de 2016.
7. Breast Cancer Organization. Hormonal therapy: what to expect? Disponível em: http://www.breastcancer.org/treatment/hormonal/expect Acesso em novembro de 2016.
8. American Cancer Society. Target therapy for breast cancer. Disponível em: http://www.cancer.org/cancer/breastcancer/detailedguide/breast-cancer-treating-targeted-therapy Acesso em novembro de 2016.
9. Advances in Therapy. Everolimus plus exemestane in postmenopausal patients with HR+ breast cancer: BOLERO-2 final progression-free survival analysis. Disponível em: http://link.springer.com/article/10.1007/s12325-013-0060-1 Acesso em novembro de 2016.
10. Instituto Oncoguia. Tratamento quimioterápico do câncer de mama. Disponível em: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/tratamento-quimioterapico-do-cancer-de-%20mama/1405/265/ Acesso em novembro de 2016.
11. Cancer.Net. Understanding chemotherapy. Disponível em: http://www.cancer.net/navigating-cancer-care/how-cancer-treated/chemotherapy/understanding-chemotherapy Acesso em novembro de 2016.
12. Cancer Treatments Center of America. Target therapy for breast cancer. Disponível em: http://www.cancercenter.com/breast-cancer/targeted-therapy/ Acesso em novembro de 2016.
13. Antonio C. Wolff, M.D. CDK4 and CDK6 Inhibition in Breast Cancer — A New Standard. N Engl J Med 2016; 375:1993-1994. DOI: 10.1056/NEJMe1611926.
14. Manual de Oncologia Clínica do Brasil (MOC). Mama. Disponível em: https://mocbrasil.com/blog/asco-2017/mama/ Acesso em maio de 2016.
15. Mayer, E.L. Curr Oncol Rep (2015) 17: 20. em: https://doi.org/10.1007/s11912-015-0443-3.
16. Hammond ME, et al. J Clin Oncol 2010; 28:2784–2795; Wolff AC, et al. J Clin Oncol 2007; 25:118–145; Onitilo AA, et al. Clin Med Res 2009; 7:4–13.
17. Instituto Nacional de câncer (INCA). Resistencia aos quimioterápicos. Disponível em: http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?ID=101 Acesso em novembro de 2016.
18. New Journal of Science. Endocrine Resistance in Breast Cancer. Disponível em: https://www.hindawi.com/journals/njos/2014/390618/ Acesso em novembro de 2016.
19. Oncology Letters. Analysis of factors affecting endocrine therapy resistance in breast cancer. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4726945/ Acesso em novembro de 2016.

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