Mutações genéticas no câncer de mama avançado: o que você precisa saber sobre isso?

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Você sabia que o câncer é causado por uma alteração no DNA das células? São as chamadas mutações genéticas. Com o câncer de mama não é diferente: a modificação de um gene faz com que as células da mama se multipliquem de forma desordenada e descontrolada, processo que acaba resultando na formação de um tumor.1,2

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Mas afinal, o que são mutações genéticas?

Uma mutação é qualquer modificação permanente que ocorra na sequência e estrutura de DNA da célula. Essas alterações ocorrem frequentemente e podem ser causadas, por exemplo, por erros durante a divisão celular. Nem toda mutação traz malefícios – como no caso das que levam ao desenvolvimento de doenças -, algumas não causam nenhum efeito no corpo e outras podem até gerar algum benefício.3

Câncer de mama avançado: quais as mutações mais comuns?

No câncer de mama, o estágio avançado é aquele em que as células cancerosas se espalharam para outros órgãos e linfonodos distantes da área da mama. Também é conhecido como câncer secundário, metastático ou em estágio 4.4

Algumas das mutações mais frequentes no estágio avançado do câncer de mama são: TP53, PIK3CA, GATA3, ESR1, MAP3K1, CDH1, entre outras.5 Vamos ver algumas delas com mais detalhes?

  • TP53: cerca de 30% das mulheres com câncer de mama possuem mutação no gene P53. A alteração nesse gene faz com que as células se multipliquem descontroladamente dando origem a um tumor. A presença dessa mutação pode indicar um prognóstico pior da doença.6,7
  • PIK3CA: este é o gene mais frequentemente mutado no câncer de mama avançado. A alteração do gene PIK3CA é uma das formas que o câncer utiliza para se multiplicar. Diferentemente de outras mutações, a exemplo da BRCA1/2, que são hereditárias (ou seja, herdada dos pais), a mutação PIK3CA está presente apenas nas células do tumor.8,9
  • GATA3: alterações no gene GATA3 estão relacionadas ao desenvolvimento do câncer de mama. Essa mutação está presente em cerca de 14% dos casos de câncer de mama. É uma alteração genética mais comum em mulheres diagnosticadas antes dos 40 anos de idade.10
  • ESR1: mutações no gene do receptor de estrógeno (ESR1) podem indicar uma resistência à terapia hormonal (também chamada de terapia endócrina). Avaliar esse gene pode ajudar o médico a tomar decisões sobre o uso de certos medicamentos.11
  • MAP3K1: o gene MAP3K1 possui as instruções para fabricar uma proteína que ajuda a regular diversos processos no corpo. Mutações nesse gene estão relacionadas a um maior risco de desenvolver câncer de mama.12,13
  • CDH1: esse gene contém as instruções para fazer uma proteína chamada caderina-E, que fica na membrana das células fazendo com que elas fiquem juntas umas às outras formando um tecido organizado e evitando, assim, o crescimento ou divisão celular descontrolados. A falta da caderina pode favorecer o aparecimento de um tumor e também fazer com que as células se desliguem do tumor primário e formem metástases em outras partes do corpo.14

 

Por que as mutações direcionam o tratamento do câncer de mama?

Investigar a presença de mutações genéticas nas células do câncer de mama é fundamental para ajudar a equipe médica a avaliar o prognóstico de cada paciente e decidir qual tratamento pode ser mais eficaz para aquele caso.15

A presença de algumas mutações torna a(o) paciente elegível ao tratamento com medicamentos capazes de atuar somente com os genes ou proteínas alteradas das células do câncer de mama, as chamadas terapia-alvo. Existem muitos tipos de terapias-alvo, cada uma projetada para tratar um tipo específico de câncer de mama.16

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Lembre-se: para saber mais sobre mutações genéticas e tratamento com terapias-alvo, converse com a equipe médica que te acompanha!


Referências

1. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de mama. Disponível em: https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-mama Acesso em novembro de 2021.
2. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Como se comportam as células cancerosas? Disponível em: https://www.inca.gov.br/como-se-comportam-celulas-cancerosas Acesso em novembro de 2021.
3. Medline Plus. What is a gene variant and how do variants occur? Disponível em: https://medlineplus.gov/genetics/understanding/mutationsanddisorders/genemutation/ Acesso em novembro de 2021.
4. Breast Cancer Care. Glossary of breast cancer terms. Disponível em: https://breastcancernow.org/information-support/glossary Acesso em novembro de 2021.
5. Lefebvre C, Bachelot T, Filleron T, Pedrero M, Campone M, Soria J-C, et al. Mutational Profile of Metastatic Breast Cancers: A Retrospective Analysis. PLOS Med [Internet]. 2016 Dec 27;13(12):e1002201.
6. FAPESP P. Mutação em gene pode definir prognóstico do câncer de mama. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/mutacao-em-gene-pode-definir-prognostico-do-cancer-de-mama/ Acesso em novembro de 2021.
7. Moura-Gallo CV de, Simão T de A, Ribeiro FS, Andrada-Serpa MJ, Cardoso LEB, Mendonça GA. Mutações no gene TP53 em tumores malignos de mama: associação com fatores de risco e características clínico-patológicas, inclusive risco de óbito, em pacientes residentes no Rio de Janeiro. Rev Bras Epidemiol. 2004;7(2):167–75.
8. Li H, Xu Y, Zhao F, Song G, Rugo HS, Zhang Y, et al. Plasma PIK3CA ctDNA specific mutation detected by next generation sequencing is associated with clinical outcome in advanced breast cancer. Am J Cancer Res [Internet]. 2018 Sep 1;8(9):1873–86.
9. Network CGA. Comprehensive molecular portraits of human breast tumours. Nature [Internet]. 2012/09/23. 2012 Oct 4;490(7418):61–70.
10. Afzaljavan F, Sadr AS, Savas S, Pasdar A. GATA3 somatic mutations are associated with clinicopathological features and expression profile in TCGA breast cancer patients. Sci Rep [Internet]. 2021;11(1):1679.
11. Brett JO, Spring LM, Bardia A, Wander SA. ESR1 mutation as an emerging clinical biomarker in metastatic hormone receptor-positive breast cancer. Breast Cancer Res [Internet]. 2021;23(1):85.
12. Medline Plus. MAP3K1 gene. Disponível em: https://medlineplus.gov/genetics/gene/map3k1/#conditions Acesso em novembro de 2021.
13. Zheng Q, Ye J, Wu H, Yu Q, Cao J. Association between Mitogen-Activated Protein Kinase Kinase Kinase 1 Polymorphisms and Breast Cancer Susceptibility: A Meta-Analysis of 20 Case-Control Studies. PLoS One [Internet]. 2014 Mar 4;9(3):e90771.
14. Medline Plus. CDH1 gene. Disponível em: https://medlineplus.gov/genetics/gene/cdh1/#conditions Acesso em novembro de 2021.
15. Zhang Y, Yang W, Li D, Yang JY, Guan R, Yang MQ. Toward the precision breast cancer survival prediction utilizing combined whole genome-wide expression and somatic mutation analysis. BMC Med Genomics [Internet]. 2018;11(5):104.
16. Cancer Treatment Centers of America. Breast cancer treatments. Disponível em: https://www.cancercenter.com/cancer-types/breast-cancer/treatments Acesso em novembro de 2021.