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Sempre que pensamos em uma doença, logo imaginamos o seu tratamento e por quais procedimentos o paciente precisará passar. Com a anemia aplásica não é diferente – os objetivos do tratamento são identificar e tratar suas causas (quando possível), assim como suas consequências na saúde e na qualidade de vida dos pacientes.1

Inicialmente procura-se identificar se há fatores que possam causar ou agravar a doença, para interromper essa exposição. Em alguns casos, esse procedimento já pode levar à melhora do quadro de saúde. Nos casos em que isso não é suficiente, os próximos passos do tratamento da anemia aplásica vão depender da idade do paciente, gravidade da doença, disponibilidade de um doador compatível e condição clínica do paciente.2

Tratamentos de suporte da anemia aplásica

Logo no início, o tratamento visa melhorar a saúde do paciente como um todo, para que esse possa ser submetido ao tratamento definitivo da anemia aplásica.3 O tratamento de suporte inclui profilaxia – medidas tomadas para prevenir ou atenuar doenças – para infecções que possam ocorrer ou mesmo resolver aquelas que já estão em andamento. Muitas vezes também são necessárias transfusões de sangue ou de plaquetas para suprir possíveis deficiências.4

Opções de tratamento da anemia aplásica

Pensando no tratamento específico da anemia aplásica, quando os pacientes têm menos de 50 anos e não apresentam outras doenças, deve ser sempre tentado o transplante alogênico, que é quando se usa as células tronco de um doador para substituir a medula óssea doente.5

Os pacientes acima dos 50 anos em boa saúde e os jovens que por algum motivo não conseguem células compatíveis, devem receber a dose completa da terapia imunossupressora, responsável por reduzir a atividade do sistema imunológico.6

Normalmente, a anemia aplásica severa pode ser tratada de maneira eficaz com medicamentos imunossupressores ou através de um transplante de medula óssea. Porém, pacientes que não apresentaram resposta à terapia imunossupressora prévia ou que receberam muitos tratamentos anteriormente e não sejam elegíveis ao transplante de medula óssea, necessitam de um tratamento alternativo. Assim, outra opção terapêutica é o uso de medicamentos que auxiliam no aumento do número de células do sangue, sem efeitos colaterais graves.7

Abaixo, podemos entender um pouco melhor os diversos passos que podem ser utilizados no tratamento da anemia aplásica:6-7

  • Terapia de suporte
    • Transfusão
      • Hemácias e plaquetas
    • Profilaxia antimicrobiana
      • Antibióticos, antifúngicos e antivirais
  • Terapia definitiva
    • Hereditariedade
      • Transplante de células tronco hematopoiéticas
    • Adquirida
      • Pacientes acima dos 50 anos ou com comorbidades
        • Terapia imunossupressora
          • Corticoides
          • Quimioterápicos
          • Miméticos orais de trombopoietina
        • Pacientes jovens
          • Doador aparentado viável
            • Transplante alogênico de medula óssea
          • Doador aparentado inviável
            • Terapia imunossupressora
            • Doadores alternativos (banco de medula ou de cordão umbilical)
            • Miméticos orais de trombopoietina

Vivendo com anemia aplásica

A sobrevida após a anemia aplásica está diretamente ligada à idade e condição clínica do paciente no momento do diagnóstico, assim como à gravidade da doença e se houve boa resposta à terapia realizada no início.8

Nos casos em que há recuperação após término do tratamento da anemia aplásica ou quando é possível controlar os sintomas, mais de 75% conseguem retomar sua qualidade de vida por mais alguns anos. Quando não há tratamento, a maioria dos pacientes não consegue sobreviver por um ano, devido principalmente às complicações relacionadas à doença, como sangramentos, infecções ou transformação em doença linfoproliferativa, como os linfomas.8

É preciso acreditar no tratamento e seguir à risca aquilo que for proposto por seu médico, pois os tratamentos atualmente disponíveis podem mudar o desenvolvimento da anemia aplásica e devolver ao paciente a possibilidade de viver por muitos anos com saúde e qualidade de vida.7


Referências

1. Bacigalupo A. How I treat acquired aplastic anemia. Blood. 16 de 2017;129(11):1428–36.
2. Peslak SA, Olson T, Babushok DV. Diagnosis and Treatment of Aplastic Anemia. Curr Treat Options Oncol. 16 de novembro de 2017;18(12):70.
3. Höchsmann B, Moicean A, Risitano A, Ljungman P, Schrezenmeier H. Supportive care in severe and very severe aplastic anemia. Bone Marrow Transplant. fevereiro de 2013;48(2):168–73.
4. Shin SH, Lee SE, Lee JW. Recent advances in treatment of aplastic anemia. Korean J Intern Med. novembro de 2014;29(6):713–26.
5. Moore CA, Krishnan K. Anemia, Aplastic. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2018 [citado 25 de abril de 2018]. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK441984/.
6. Boddu PC, Kadia TM. Updates on the pathophysiology and treatment of aplastic anemia: a comprehensive review. Expert Rev Hematol. 2017;10(5):433–48.
7. Neal S Young. ASH Education Book December 6, 2013 vol. 2013 no. 1 76-81. doi: 10.1182/asheducation-2013.1.76.
8. Moore CA, Krishnan K. Bone Marrow Failure. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2018 [citado 4 de maio de 2018]. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK459249/.

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