Conhecendo a diferença: alergia vs. urticária

13/04/2017

Conhecendo a diferença: alergia vs. urticária

Você tem amigos ou familiares que têm alergia ao pólen? Talvez alguém que você conheça seja alérgico a cães ou gatos. Todos nós estamos familiarizados com essas condições alérgicas bastante comuns, mas quando algo parece, mas não é realmente uma alergia?

Você também achou que a sua urticária crônica espontânea (UCE) era uma alergia no início? Talvez o seu médico possa ter pensado isso também. Apesar das semelhanças, em geral a UCE não é uma alergia.1

Quando a urticária dura seis semanas ou mais, nestes casos, a doença é classificada como urticária crônica.2-3

Mesmo após fazer uma bateria de exames, não há um agente externo causador das lesões em 2/3 dos casos de urticária crônica e, nessas situações, são chamados de espontâneos (antigamente conhecidas como idiopáticos).2

Então, se não é uma alergia, o que é?

Algumas vezes, substâncias inofensivas, como pólen ou a poeira, entram em contato com o nosso corpo e o sistema imunológico reage exageradamente. Isso é chamado de uma reação alérgica ou alergia.4

Normalmente, entrar em contato com coisas como o pólen não é um problema, mas se você já tiver sofrido de alergia ao pólen, saberá o quão chato e irritante esse problema pode ser. Isso acontece por que o seu sistema imunológico confunde o pólen com uma ameaça real e inicia uma resposta imediata ou, às vezes, tardia.4

O principal fenômeno de uma alergia é a ativação dos mastócitos, um tipo de célula que vive em sua pele e outros lugares do corpo. Os mastócitos são uma parte de seu sistema imunológico que libera substâncias químicas quando percebe uma “ameça”.4

Não surpreende que você possa ter confundido a UCE com uma alergia, porque quando os mastócitos liberam suas substâncias químicas, isso pode resultar na formação de urticas pruriginosas – assim como ocorre com a UCE.4

Você deve estar pensando: se a urticária crônica espontânea tem a aparência de uma alergia e parece com uma alergia, por que não é? Embora o processo possa ser bastante semelhante, com os mastócitos liberando histamina tanto na UCE quanto as alergias, a UCE não apresenta um desencadeador externo.2

Para alguém que tenha alergia ao pólen, podemos ter certeza de que o pólen é o gatilho, mas com a UCE, normalmente não há uma causa óbvia. As pessoas com um tipo autoimune de UCE – no qual seu corpo reage a suas próprias proteínas – têm uma ideia em relação à causa de sua UCE, mas muitas pessoas vivem sem saber por que têm essas erupções.2,5

Com gatilho ou sem gatilho: isso realmente importa?

Importa se você tiver UCE. Se você for alérgico a pelos de animais, você pode evitar cães e gatos e, mesmo que você tenha alergia ao pólen, você pode prever o problema e tomar medidas preventivas. Mas e se não houver avisos nem nada para se evitar? Isso pode tornar mais desafiador reduzir de forma eficaz os sintomas e também pode significar que os sintomas durarão mais tempo. Alguns pacientes ficam frequentemente preocupados sobre a próxima erupção, tornando difícil viver suas vidas da forma que gostariam.

Muitas pessoas lutam contra a natureza imprevisível da urticária crônica espontânea, que impacta suas vidas sociais e relacionamentos.6 A UCE afetou a forma com que você vive sua vida?

A urticária crônica espontânea precisa ser controlada, mesmo que não apresente risco para a vida. Como pode durar muitos anos em alguns pacientes, isso acaba interferindo, de forma significativa, na sua qualidade de vida e rotina.7

Se você foi diagnosticado recentemente com UCE ou não consegue descobrir a causa de seus sintomas alérgicos recorrentes, é uma boa ideia conversar com seu médico. Você pode não encontrar um gatilho, mas você pode receber um diagnóstico melhor, receber alguns bons conselhos, se beneficiar dos tratamentos disponíveis para controlar os sintomas e ajudar você a seguir com sua vida.

Se você suspeitar que tem UCE, recomendamos que você veja a seção Viva sua pele e fale com seu médico sobre os sintomas.

Se você já foi diagnosticado com urticária crônica, uma medida importante é monitorar a doença. Isso pode ser feito por meio dos questionários UAS7 e o DLQI reconhecidos e utilizados internacionalmente que medem a gravidade dos sintomas e o seu impacto na qualidade de vida dos pacientes.8-9


Referências

1. Augey F, Gunera-Saad N, Bensaid B et al. Chronic spontaneous urticaria is not an allergic disease. Eur J Dermatol 2011; 21(3):349-353.
2. Maurer M, Weller K, Bindslev-Jensen C et al. Unmet clinical needs in chronic spontaneous urticaria. A GA²LEN task force report. Unmet clinical needs in chronic spontaneous urticaria. A GA²LEN task force report. Allergy 2011;66:317–30.
3. Greaves M. Chronic urticaria. Allergy Clin Immunol 2000;105:664–72.
4. What is an allergy? Disponível em www.allergyuk.org/what-is-an-allergy/what-is-an-allergy. Último acesso em setembro de 2016
5. Kaplan AP. Treatment of chronic spontaneous urticaria. Allergy Asthma Immunol Res. 2012; 4(6):326-331.
6. O’Donnell BFO et al. The impact of chronic urticaria on the quality of life. Br J Dermatol 1997; 136:197-201.
7. Kang MJ et al. The Impact of Chronic Idiopathic Urticaria on Quality of Life in Korean Patients. Ann Dermatol 2009 Aug;21(3):226–9.
8. Finlay AY, Khan GK. Dermatology Life Quality Index (DLQI): a simple practical measure for routine clinical use. Clin Exp Dermatol 1994 May; 19(3):210-216.
9. British Association of Dermatology (BAD). DERMATOLOGY LIFE QUALITY INDEX (DLQI). Disponível em: http://www.bad.org.uk/shared/get-file.ashx?itemtype=document&id=1653.Último acesso em outubro de 2016.

Fonte: Skin to Live In. Disponível em: http://www.skintolivein.com/urticaria/urticaria-and-you/knowing-the-difference/

Veja mais em: Viva sua Pele

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