Entrevista: médica da USP explica o que fazer quando os sintomas da psoríase pioram!


Entrevista: médica da USP explica o que fazer quando os sintomas da psoríase pioram!

Quem convive com a psoríase sabe que os sinais e sintomas da doença podem piorar de repente, e às vezes até sem causa aparente, não é mesmo? Para entender o que pode causar (ou agravar) as crises e exacerbações da psoríase – e principalmente saber o que fazer nesses casos – entrevistamos a Dra. Cacilda da Silva Souza, dermatologista e professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP).

Confira e saiba como evitar e o que fazer na próxima crise de psoríase!

1. O que caracteriza uma exacerbação (ou crise) de psoríase?
A piora súbita e/ou o rápido surgimento de lesões cutâneas, ou seja, aumento do número e acentuação da vermelhidão, descamação, espessura e do prurido das lesões cutâneas de psoríase em curto período.

2. Em geral, quais são os principais fatores que contribuem para um quadro de exacerbação da psoríase?
A etiologia da doença é ainda desconhecida, além da predisposição genética, outros fatores externos e internos têm sido associados ao surgimento e à exacerbação da psoríase. O estresse emocional é um dos fatores mais comumente implicados na exacerbação da doença, e de modo geral, as infecções bacterianas e virais. Há ainda a associação com algumas medicações, como por exemplo, o efeito rebote causado pela interrupção súbita dos corticoides orais – ou até tópicos aplicados em grandes áreas da pele –, motivos pelos quais não estariam indicados ou serem de uso controlado na psoríase. Outras medicações podem estar associadas, como o sal de lítio e propranolol. Mas por vezes, não conseguimos identificar uma causa.

3. O paciente pode fazer algo para prevenir o surgimento das crises de psoríase?
A piora da psoríase pode ser inevitável, e o seu manuseio deve ser particularizado para cada paciente. Buscar recursos para administrar melhor o estresse, hábitos de vida saudáveis, e controle da saúde em geral e das comorbidades, (obesidade, diabetes, hipertensão arterial) são altamente recomendáveis. A prevenção das infecções também é aconselhável por meio da regularização da carteira vacinal e cuidados com a saúde bucal.
Durante período do inverno, o uso de emolientes deve ser intensificado.

4. A exacerbação da psoríase tem alguma relação com a gravidade da doença? Por exemplo, as exacerbações são mais comuns em pacientes com psoríase moderada a grave, do que naqueles com psoríase leve?
No geral, exacerbações mais frequentes ou aquelas de difícil controle estão associadas aos quadros moderados a graves da psoríase. No entanto, é possível que pacientes com quadros mais leves possam experimentar a piora súbita da psoríase, uma vez que há vários fatores genéticos e imunológicos ainda não totalmente esclarecidos envolvendo a doença. Há ainda fatores estressores, ambientais e outros não controláveis aos quais todos estariam expostos no dia a dia.

5. Se o paciente notar que está no início de um processo de exacerbação da psoríase, quais são as coisas mais importantes e urgentes que ele deve fazer?
Os cuidados imediatos são intensificação do uso de emolientes na pele e a procura do atendimento pelo seu dermatologista, que deverá investigar ou auxiliar na busca das causas que possam estar relacionadas à piora, para na medida do possível serem tratadas.

Durante as crises, a decisão de intensificar o tratamento sistêmico da psoríase, reduzir, ou suspender medicamentos em uso deve seguir orientações médicas. Por exemplo, há alguns medicamentos que podem ser substituídos por outros grupos, como os anti-hipertensivos; e as infecções (potencialmente relacionadas às crises) devem ser tratadas ou podem melhorar mais rapidamente com a suspensão ou interrupção temporária dos medicamentos imunossupressores utilizados na psoríase. Todos os pacientes recebem orientações quanto aos possíveis efeitos adversos das medicações sistêmicas e em caso de crises da doença.

Em síntese:
• Conhecer as particularidades da sua doença e das crises;
• A investigação detalhada das possíveis causas;
• O ajuste das medicações;
• O seguimento médico mais estreito durante as crises poderão ser de grande auxílio.

Vale ressaltar, que é animador o aumento crescente de medicamentos para uso na psoríase moderada a grave, cuja maior eficácia pode minimizar os episódios de crises.

Profa. Dra. Cacilda da Silva Souza
Divisão de Dermatologia
Departamento de Clínica Médica
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
Universidade de São Paulo
CRM 52027

Veja mais em: Diagnóstico e tratamento

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