Diagnóstico do melanoma

Diagnóstico do melanoma

26/02/2017

Diagnóstico do melanoma

Um fator importante para o tratamento eficaz do melanoma é o diagnóstico precoce, já que quando descoberto em sua fase inicial as chances de cura são aumentadas.1

Geralmente, o diagnóstico do melanoma se dá a partir de uma queixa do paciente sobre o surgimento de uma lesão de pele.1,2 Por isso, é recomendável checar a sua pele pelo menos uma vez por mês e estar atento ao aparecimento de novas lesões, ou mudanças nas que já existiam.3

Sinais na pele que apresentam mudança de cor, forma ou tamanho exigem uma consulta com o dermatologista. Ferimento, caroço, mancha, marca ou mudança na aparência da pele ou sua textura podem ser sinais de câncer de pele. As lesões mais avançadas podem apresentar sangramento, coceira, dor e ulceração.1,3

Se uma pessoa apresenta sinais de melanoma, o médico analisará o histórico clínico completo do paciente, observando os sintomas e os fatores de risco que estão associados à doença.1-3 Logo após a confirmação do diagnóstico, o médico pode ainda solicitar exames moleculares, que permitem determinar uma eventual mutação genética presente no tumor do paciente (como BRAF, NRAS, CDKN2A e c-KIT) e, assim, escolher o tratamento mais adequado para cada caso.4-6

Para diagnosticar o melanoma e determinar o estágio da doença são realizados alguns exames como:

Exame morfológico:

Durante o exame morfológico, o médico observará o tamanho, forma, cor e textura das lesões em questão, e se há sangramento ou descamação. O médico também verificará o tamanho dos gânglios linfáticos da virilha, axilas, pescoço e áreas próximas à lesão. O aumento dos gânglios linfáticos ou inchaço dessas regiões pode sugerir que o melanoma se espalhou para esses locais (melanoma metastático).1,3

Dermatoscopia:

Esta técnica é realizada junto ao exame morfológico para diferenciar as pintas comuns das lesões de risco. O médico utiliza um dermatoscópio, um aparelho que permite ampliar a imagem da pele, proporcionando uma visão em profundidade, facilitando a análise e documentação das manchas e ou pintas.1-3

Em alguns casos, mesmo com um dermatoscópio fica impossível esta diferenciação. Quando isso ocorre, o médico poderá solicitar uma dermatoscopia digital ou um mapeamento corporal. Este procedimento é realizado por um especialista com aparelhos mais sofisticados que fotografam todo o corpo do paciente e podem detectar precocemente modificações como o aparecimento de manchas e pintas malignas.7

No entanto, o diagnóstico do melanoma só pode ser finalizado/concluído através de uma biópsia.1-3

Biópsia:

É a retirada de uma amostra de tecido que vai ser analisada ao microscópio por um patologista.1-3 Existem vários tipos de biópsia, sempre feitas com anestesia e a opção vai depender do tamanho da lesão e de sua localização no corpo.1

Nos casos de suspeita de melanoma, os especialistas geralmente removem todo tumor durante a biópsia, método chamado biópsia excisional ou biópsia de excisão.1,3

Diagnósticos moleculares:

O dermatologista deve ainda solicitar outros testes, como os exames moleculares, que auxiliarão tanto no diagnóstico quanto na escolha do tratamento mais adequado.5-6 Entre estes testes estão:

– Genotipagem pela técnica de SNaPshot:

Esta técnica se baseia na identificação rápida e precisa de anormalidades genéticas que podem estar associadas ao aparecimento e evolução dos melanomas e pode ser realizada através das amostras de pele obtidas na biópsia para o diagnóstico. As mutações mais frequentemente encontradas são: BRAF V600E, BRAF V600K, NRAS Q61L e NRAS Q61R.5,7

No caso de pacientes com melanoma avançado, as amostras de pele obtidas para a biópsia devem sempre que possível ser analisadas quanto à presença de mutações em determinados genes, como o gene BRAF. Cerca da metade dos melanomas têm mutações nesse gene. Alguns medicamentos utilizados no tratamento de melanomas avançados só atuam se as células tumorais têm mutações BRAF, de modo que este teste é importante para ajudar a determinar as melhores opções de tratamento. Atualmente, as terapias alvo disponíveis para mutações do gene BRAF oferecem controle da progressão da doença e melhor qualidade de vida a longo prazo para mais de 90% dos pacientes BRAF positivos.8,9, 10

– Hibridização Fluorescente in situ (FISH) para melanoma:

Este é outro tipo de exame que avalia anormalidades genéticas que podem estar associadas ao aparecimento e evolução de melanomas e pode ser realizada através das amostras de pele obtidas na biópsia. Tem como objetivo diferenciar tumores benignos de malignos auxiliando no diagnóstico de melanoma e na escolha do tratamento mais adequado.5,11

– DecisionDx-Melanoma:

Este é um teste mais novo que examina determinados padrões de expressão gênica em células de melanoma para avaliar a propensão para se espalhar que melanomas em estágio inicial têm. Os resultados deste teste podem ajudar a dizer se alguém com melanoma em estágio inicial deve receber algum tratamento adicional ou se eles precisam ser seguidos mais de perto após o tratamento para evitar a recorrência da doença.6

 


Referências
1. Instituto Oncoguia. Diagnóstico do Câncer de Pele Melanoma. http://www.oncoguia.org.br/conteudo/diagnostico/553/138/. Acesso em janeiro de 2017.
2. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Diretrizes diagnósticas e terapêuticas do melanoma maligno cutâneo. Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sas/2013/prt0357_08_04_2013.html. Acesso em janeiro de 2017.
3. A. C. Camargo. Pele melanoma. Disponível em http://www.accamargo.org.br/tudo-sobre-o-cancer/pele-melanoma/31/. Acesso em janeiro de 2017.
4. Stanford Health Care. Melanoma diagnosis. Disponível em https://stanfordhealthcare.org/medical-conditions/cancer/melanoma/melanoma-diagnosis.html. Acesso em janeiro de 2017.
5. American Cancer Society. What is new in melanoma skin cancer research? Disponível em http://www.cancer.org/cancer/skincancer-melanoma/detailedguide/melanoma-skin-cancer-new-research. Acesso em janeiro de 2017.
6. CancerCell. SnapShot: Melanoma. Disponível em http://www.cell.com/cancer-cell/abstract/S1535-6108(13)00194-3. Acesso em janeiro de 2017.
7. Sociedade Brasileira de Dermatologia. Dermatoscopia. Disponível em https://www.sbcd.org.br/procedimentos/390. Acesso em janeiro de 2017.
8. Journal of the German Society of Dermatology. Malignant melanoma S3-guideline “diagnosis, therapy and follow-up of melanoma”. Disponível em http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/ddg.12113_suppl/epdf. Acesso em janeiro de 2017.
9. British Journal of Dermatology. BRAF mutation testing algorithm for vemurafenib treatment in melanoma: recommendations from an expert panel. Disponível em http://onlinelibrary.wiley.com/wol1/doi/10.1111/bjd.12248/full. Acesso em janeiro de 2017.
10. Long, G. V. et al. Dabrafenib and trametinib versus dabrafenib and placebo for Val600 BRAF-mutant melanoma: A multicentre, double-blind, phase 3 randomised controlled trial. Lancet 386, 444–451 (2015).
11. Archives of Pathology & Laboratory Medicine. Update on fluorescence in situ hybridization in melanoma: state of the art. Disponível em http://www.archivesofpathology.org/doi/10.1043/2011-0048-RAIR.1?url_ver=Z39.88-2003&rfr_id=ori:rid:crossref.org&rfr_dat=cr_pub%3dpubmed&code=coap-site. Acesso em janeiro de 2017.