Tratamento da leucemia mieloide crônica

Tratamento da leucemia mieloide crônica

05/02/2017

O tratamento da leucemia mieloide crônica (LMC) deve ser contínuo, com foco no controle da progressão da doença e na busca de sua remissão.1

Até poucos anos atrás, o tratamento da LMC estava limitado à quimioterapia convencional, ao tratamento com interferon-α e ao transplante de medula óssea. No entanto, todos esses tratamentos apresentam restrições com relação à efetiva eficácia e quanto à tolerabilidade de cada paciente.2

Mais recentemente, as descobertas do cromossomo Philadelphia, em 1960, e do oncogene BCR-ABL, em 1984, proporcionaram o desenvolvimento de novos medicamentos utilizados na terapia-alvo, o que resultou numa melhora expressiva do prognóstico e da evolução da LMC.3 Hoje, em mais de 70% dos casos o paciente demonstra remissão completa da doença.4

Hoje em dia é possível controlar a progressão da doença apenas com medicação oral diária, sem ser necessário passar pelas tão temidas quimioterapias. No entanto, o médico é quem definirá qual a melhor opção terapêutica. A escolha do tratamento para a LMC depende da idade do paciente, de seu quadro geral de saúde e da fase da doença.5

Terapia-alvo (Inibidores de Tirosina-Quinase)

Atualmente, as terapias-alvo são a primeira opção de tratamento para a LMC. Elas apresentam resultados cada vez mais promissores, pois combatem apenas as células doentes e proporcionam uma vida normal aos pacientes, com poucos efeitos colaterais. Os medicamentos utilizados têm como alvo a proteína BCR-ABL e são conhecidos como inibidores da tirosina quinase.2 As terapias-alvo agem especificadamente inibindo a ação da proteína BCR-ABL do cromossomo Philadelphia.5-7

Existem diferentes medicamentos (princípios ativos) utilizados nas terapias-alvo. Caso a doença não responda ou se torne resistente ao primeiro medicamento utilizado (o que pode ser avaliado por meio de exames como o PCR quantitativo), os médicos podem considerar uma dose maior do próprio medicamento, outros medicamentos ou outros tratamentos.4,6

Além disso, os medicamentos que são prescritos na terapia alvo estão na forma de capsulas ou comprimidos, e são administrados via oral. Por esse motivo, a boa adesão ao tratamento da LMC se torna essencial.4-6

Os efeitos colaterais destes medicamentos incluem inchaço, náuseas, cãibras musculares, erupções cutâneas, fadiga e diarreia, e a maioria deles é temporária, aparecendo com maior frequência nos primeiros meses de tratamento. É importante conversar com o médico sobre as reações aos medicamentos, pois só assim ele poderá ajudar a reduzir qualquer desconforto e, caso necessário, trocar a medicação. 4

Durante todo o tratamento, o exame de PCR quantitativo é essencial para avaliar o sucesso do tratamento e a evolução da doença. Para a maioria dos pacientes, o tratamento com os inibidores de tirosina-quinase não acaba e pode durar por toda a vida. Isso pode parecer difícil e estressante em alguns momentos. O importante é você manter o tratamento e conversar com o seu médico sempre que tiver dúvidas sobre o assunto.4


Outros tratamentos

Tratamento biológico da leucemia mieloide crônica

O interferon-α sintético é utilizado no tratamento da LMC quando outros tratamentos não funcionam ou em situações que não se pode tomar outros medicamentos (como durante a gravidez), com o objetivo de reduzir o crescimento e a divisão das células anormais.5-8

O interferon é administrado por via intramuscular e pode provocar efeitos colaterais similares a sintomas de gripe como dores musculares, febre, dor de cabeça, fadiga, náuseas, vômitos, problemas de concentração e diminuição das taxas sanguíneas. Estes efeitos perduram enquanto a droga é utilizada, mas cessam ao término do tratamento. Ainda assim, alguns pacientes têm dificuldade em lidar diariamente com esses efeitos colaterais e pode ser necessária a interrupção do tratamento.7,8

Quimioterapia da leucemia mieloide crônica

A quimioterapia só é recomendada para o tratamento da LMC quando o paciente não responde bem aos inibidores de tirosina quinase (terapia-alvo, descrita acima). Este tratamento utiliza medicamentos com o objetivo de destruir, controlar ou inibir o crescimento das células anormais. A administração da quimioterapia é feita em ciclos, com um período de tratamento, seguido por um período de descanso, para permitir ao corpo um momento de recuperação. No entanto, a quimioterapia destrói as células anormais e células saudáveis, o que traz muitos efeitos colaterais aos pacientes. Entre os efeitos colaterais mais comuns durante o tratamento quimioterápico estão: náuseas e vômitos; queda de cabelo (alopecia); infecções; cansaço e fadiga; alterações da pele e nas unhas (coceira, vermelhidão, descamação, acne e unhas quebradiças). É importante conversar com seu médico sobre as reações aos medicamentos, pois só assim ele poderá ajudá-la a reduzir qualquer desconforto.5-7

Radioterapia da leucemia mieloide crônica

O tratamento radioterápico utiliza radiações ionizantes para destruir ou inibir o crescimento das células anormais que formam um tumor. Este procedimento é pouco utilizado para o tratamento de leucemias, mas pode ser indicado antes do transplante de medula óssea, para diminuir o tamanho do baço ou possíveis dores ósseas. Entre os efeitos colaterais que o paciente pode apresentar estão problemas de pele, fadiga, boca seca, náuseas ou diarreia. Estes efeitos tendem a desaparecer pouco tempo após o término do tratamento.6,8,9

Transplante de medula óssea da leucemia mieloide crônica

O transplante de medula óssea, também chamado por transplante de células-tronco hematopoiéticas, geralmente só é recomendado para pessoas que não responderam às terapias-alvo, para pacientes que estão com a doença em estágio avançado (a chamada crise blástica) ou para pacientes jovens, particularmente crianças.5,6,10,11

Durante um transplante de células-tronco de sangue, altas doses de quimioterápicos são utilizadas para matar as células formadoras de sangue na medula óssea. Em seguida, células-tronco do sangue de um doador ou do próprio paciente que foram previamente coletadas são infundidas na corrente sanguínea. As novas células formam novas células sanguíneas saudáveis para substituir as células doentes.4,6,11,12

Ainda assim, este tipo de transplante pode causar complicações graves ou mesmo risco de morte, e muitas vezes não é uma boa opção, devido a seus efeitos colaterais em pacientes mais velhos ou com outros problemas de saúde.6,10,11

Cirurgia da leucemia mieloide crônica

Raramente a cirurgia é utilizada nos casos de LMC. No entanto, quando a leucemia atinge o baço, esse órgão pode crescer e pressionar outros órgãos próximos. Se a quimioterapia ou radiação não ajudar a encolher o baço, ele pode ser removido com a cirurgia. Esta operação, chamada esplenectomia, tem como objetivo apenas melhorar os sintomas de um baço aumentado e não tem papel na cura da LMC.6,12-14

A esplenectomia pode melhorar a contagem de glóbulos vermelhos e plaquetas em alguns pacientes, melhorando os sintomas e diminuindo a necessidade de transfusões sanguíneas.6,12-14

A maioria das pessoas não tem problemas em viver sem baço. O risco para determinadas infecções bacterianas aumenta, razão pela qual os médicos recomendam vacinação mais frequente depois que o baço é removido.6,12-14


Referências
1. Annals of Hematology. A review of the European LeukemiaNet recommendations for the management of CML. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25814080. Acesso em janeiro de 2017.
2. Revista Brasileira de Cancerologia. Proposta de acompanhamento farmacoteraupeutico em LMCÇ uma abordagem metodológica. Disponível em http://www1.inca.gov.br/rbc/n_55/v04/pdf/375_opiniao1.pdf. Acesso em dezembro de 2016.
3. Einstein. Leucemia mieloide crônica: passado, presente, futuro. http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1679-45082011000200236&script=sci_arttext&tlng=pt
4. ABRALE- Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia. Leucemia Mieloide Crônica. Disponível em http://www.abrale.org.br/lmc/tratamento. Acesso em dezembro de 2016.
5. American Cancer Society. Treating chronic myeloid leukemia by phase. Disponível em http://www.cancer.org/cancer/leukemia-chronicmyeloidcml/detailedguide/leukemia-chronic-myeloid-myelogenous-treating-treating-by-phase. Acesso em dezembro de 2016.
6. Instituto Oncoguia. Tratamento da leucemia mieloide crônica. Disponível em http://www.oncoguia.org.br/conteudo/tratamento-da-leucemia-mieloide-cronica-por-estagio/7997/338/. Acesso em dezembro de 2016.
7. NIH – National Cancer Institute. Chronic Myelogenous Leukemia Treatment – Treatment option overview. Disponível em https://www.cancer.gov/types/leukemia/patient/cml-treatment-pdq. Acesso em dezembro de 2016.
8. Instituto Oncoguia. Terapia alvo para leucemia mieloide crônica. Disponível em http://www.oncoguia.org.br/conteudo/terapia-alvo-para-leucemia-mieloide-cronica-lmc/1652/338/. Acesso em dezembro de 2016.
9. Instituto Oncoguia. Terapia com interferon para leucemia mieloide crônica. Disponível em http://www.oncoguia.org.br/conteudo/terapia-com-interferon-para-leucemia-mieloide-cronica-lmc/1653/338/. Acesso em dezembro de 2016.
10. American Cancer society. Radiation therapy for chronic myeloid leukemia. Disponível em http://www.cancer.org/cancer/leukemia-chronicmyeloidcml/detailedguide/leukemia-chronic-myeloid-myelogenous-treating-radiation-therapy
11. Instituto Oncoguia. Transplante de células tronco para leucemia mieloide crônica. Disponível em http://www.oncoguia.org.br/conteudo/transplante-de-celulas-tronco-para-leucemia-mieloide-cronica-lmc/7994/338/. Acesso em dezembro de 2016.
12. American Cancer Society. Stem cell transplant for chronic myeloid leukemia. Disponível em http://www.cancer.org/cancer/leukemia-chronicmyeloidcml/detailedguide/leukemia-chronic-myeloid-myelogenous-treating-bone-marrow-stem-cell. Acesso em dezembro de 2016.
13. American Cancer Society. Surgery for chronic myeloid leukemia. Disponível em http://www.cancer.org/cancer/leukemia-chronicmyeloidcml/detailedguide/leukemia-chronic-myeloid-myelogenous-treating-surgery. Acesso em dezembro de 2016.
14. Instituto Oncoguia. Tratamento cirúrgico da leucemia mieloide crônica. Disponível em http://www.oncoguia.org.br/conteudo/tratamento-cirurgico-da-leucemia-mieloide-cronica-lmc/1656/338. Acesso em dezembro de 2016.