Diagnóstico da leucemia mieloide crônica

Diagnóstico da leucemia mieloide crônica

06/02/2017

A maioria das pessoas com leucemia mieloide crônica (LMC) não apresenta sintomas no momento do diagnóstico: a doença é frequentemente diagnosticada durante exames de rotina ou exames para o diagnostico de outras doenças.1 Quando há suspeita da LMC, o médico solicita uma variedade de testes para analisar as células do sangue e da medula óssea, fundamentais para o diagnóstico da LMC.2-4

Entre os exames mais comumente solicitados para o diagnóstico da leucemia mieloide crônica estão:

 

    • Exame físico e anamnese estes testes incluem o exame físico do corpo do paciente para verificar sinais gerais de saúde, incluindo sinais da doença como um baço aumentado, um histórico dos hábitos de saúde do paciente, como doenças passadas e tratamentos já utilizados que possam auxiliar no diagnóstico da LMC.4

 

    • Hemograma completo (exame de sangue): este exame avalia os diferentes tipos de células sanguíneas em relação à quantidade e quanto ao tipo de células. A maioria dos pacientes com LMC apresenta diminuição da concentração de hemoglobina, aumento dos glóbulos brancos, e variações do número de plaquetas que dependem da gravidade da LMC. Embora estes resultados possam sugerir leucemia, a doença não é diagnosticada sem um estudo mais aprofundado das células da medula óssea chamado de mielograma.2-6O hemograma costuma ser utilizado com muita frequência, pois além de auxiliar no diagnóstico, é utilizado para que o médico acompanhe os efeitos e respostas ao tratamento e tome as precauções para evitar possíveis infecções, sangramentos e anemia.2-6

 

    • Aspirado de medula óssea (ou mielograma) e biópsia da medula óssea: esses exames tem a finalidade de verificar qualitativa e quantitativamente como se comporta a produção das células sanguíneas (hemácias, plaquetas e glóbulos brancos) na medula óssea. É fundamental para a investigação das anormalidades registradas no hemograma. As amostras de células da medula são geralmente colhidas no osso da pelve (ossos da bacia), ou no osso esterno (tórax). Esse exame pode ser realizado em consultório médico ou em laboratórios e dura cerca de 10 a 15 minutos.2-7

 

    • Análise citogenética: verifica o número e a estrutura dos cromossomos das células de uma amostra de sangue ou da medula óssea. As amostras são examinadas para verificar se existem anormalidades cromossômicas, tais como a presença do cromossomo Philadelphia (Ph+). Cerca de 90% das pessoas com LMC têm o cromossomo Philadelphia detectável por análise citogenética. As demais pessoas com sinais clínicos de LMC e que não têm detecção citogenética do cromossomo Filadélfia quase sempre apresentam a proteína BCR-ABL em outros exames.2-6 Este procedimento também pode ser realizado durante o tratamento para avaliar se a leucemia está respondendo ao tratamento escolhido. Saiba mais em o que é remissão da LMC.

 

    • Hibridização Fluorescente in situ (FISH): este é outro tipo de exame que avalia os cromossomos, usando corantes fluorescentes que só se ligam a partes específicas de cromossomos específicos. O FISH é um método mais sensível, pois detecta alterações pequenas não visualizadas no exame de citogenética. O FISH pode ser usado para determinar alterações nos cromossomos utilizando amostras de sangue ou da medula óssea.2-6

 

  • Teste de Reação em Cadeia da Polimerase(PCR): este é um exame bastante sensível, que permite detectar determinadas mudanças na estrutura ou função dos genes. É comumente utilizado para o diagnóstico e acompanhamento da LMC. Ele avalia, em amostras de sangue ou da medula óssea, a quantidade da proteína BCR-ABL. Atualmente, o PCR quantitativo é o melhor método de avaliação para verificar a evolução da LMC diante ao tratamento.2-6

 

Por que acompanhar a evolução do tratamento da LMC por meio do PCR quantitativo?

O PCR é hoje a melhor forma de verificar a resposta da leucemia mieloide crônica ao tratamento proposto.2-6 Pacientes que realizam os testes de PCR quantitativo de 3 a 4 vezes por ano apresentam menor risco de progressão da doença, uma vez que o exame gera informações sobre a efetividade do tratamento que vem sendo utilizado, possibilitando que o médico decida pela continuidade ou troca do medicamento em uso.8,9 Deve-se lembrar que, apesar da evolução no tratamento da LMC nos últimos anos, atualmente a adesão ao tratamento deve permanecer durante toda a vida dos pacientes, focando no controle da progressão da doença e visando sua remissão.10

  • Pontuação ou risco Sokal: após o diagnóstico e antes do início do tratamento, seu médico poderá calcular a sua “pontuação Sokal”. Esta pontuação é utilizada para determinar se a sua doença é considerada de risco “baixo”, “intermediário” ou “alto”. Ela é utilizada para ajudar a prever a probabilidade de progressão da sua doença no futuro. O seu médico irá avaliar vários fatores, incluindo sua idade, o tamanho do seu baço, sua contagem de plaquetas e o percentual de células imaturas em seu sangue.11

pontuacao-sokal-leucemia-mieloide-cronica

 


Referências
1. Instituto Oncoguia. Diagnóstico da leucemia mieloide crônica. Disponível em http://www.oncoguia.org.br/conteudo/diagnostico/1119/306/. Acesso em dezembro de 2016.
2. ABRALE- Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia. Diagnóstico – LCM. Disponível em http://www.abrale.org.br/lmc/diagnostico. Acesso em dezembro de 2016.
3. Instituto Oncoguia. Exames para diagnóstico da leucemia mieloide crônica. Disponível em http://www.oncoguia.org.br/conteudo/exames-para-diagnostico-da-leucemia-mieloide-cronica-lmc/1649/337/. Acesso em dezembro de 2016.
4. NIH – National Cancer Institute. Chronic Myelogenous Leukemia Treatment – Treatment option overview. Disponível em https://www.cancer.gov/types/leukemia/patient/cml-treatment-pdq. Acesso em dezembro de 2016.
5. American Cancer Society. How is chronic myelomonocytic leukemia diagnosed? Disponível em http://www.cancer.org/cancer/leukemia-chronicmyelomonocyticcmml/detailedguide/leukemia-chronic-myelomonocytic-diagnosed. Acesso em dezembro de 2016.
6. Leukemia & Lymphoma Society. Chronic myeloid leukemia. Disponível em http://www.lls.org/sites/default/files/file_assets/cml.pdf. Acesso em dezembro de 2016.
7. Instituto Oncoguia. Biópsias para Diagnóstico da Leucemia Mieloide Crônica (LMC) http://www.oncoguia.org.br/conteudo/biopsias-para-diagnostico-da-leucemia-mieloide-cronica-lmc/1648/337/. Acesso em dezembro de 2016.
8. Current Medical Research & Opinion. Association between molecular monitoring and long-term outcomes in chronic myelogenous leukemia patients treated with first line imatinib. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23738923. Acesso em dezembro de 2016.
9. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia. Chronic myeloid leukemia treatment guidelines: Brazilian Association of Hematology, Hemotherapy and Cell Therapy. Brazilian Medical Association Guidelines Project – 2012. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3486828/. Acesso em dezembro de 2016.
10. Annals of Hematology. A review of the European LeukemiaNet recommendations for the management of CML. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25814080. Acesso em janeiro de 2017.
11. National Comprehensive Cancer Network. NCCN guidelines for patients: chronic myelogenous leukemia. http://www.nccn.org/patients/guidelines/cml/index.html. Published 2013. Accessed October 23, 2014