Tratamento da insuficiência cardíaca

01.04.2016

Tratamento da insuficiência cardíaca

Apesar dos tratamentos existentes para insuficiência cardíaca (IC), a taxa de mortalidade da IC permanece muito alta: cerca de 50% dos pacientes morrem no período de cinco anos após o diagnóstico da doença.1-3 Há, portanto, uma necessidade urgente de tratamentos novos e eficazes que reduzam o número de internações hospitalares onerosas e melhorem a qualidade de vida, diminuam a mortalidade e morbidade das pessoas que vivem com a insuficiência cardíaca ou que irão desenvolver a doença.

 

Atualmente, o principal objetivo do tratamento da insuficiência cardíaca é atuar no bloqueio e atenuação dos sintomas debilitantes da doença, para que os pacientes possam viver por mais tempo e com mais autonomia.4

 

O tratamento da insuficiência cardíaca também tem como objetivo reduzir os quadros de “agudização” ou “descompensação” da doença, quando os sintomas pioram de forma grave e o paciente precisa buscar apoio médico e hospitalar emergencial.4

 

O tratamento da insuficiência cardíaca costuma ser norteado por alguns princípios básicos, tais como:4

 

  • corrigir a causa do dano na musculatura do coração (que impossibilita o órgão de bombear o sangue de forma adequada);
  • afastar os fatores agravantes e/ou precipitantes da insuficiência cardíaca;
  • alertar o paciente e os familiares quanto à gravidade da doença e a necessidade de adesão ao tratamento.

 

 

Vale destacar que a insuficiência cardíaca é causada por outras doenças, portanto, é preciso assegurar que as doenças primárias (causadoras da IC) também estejam sendo combatidas e sob controle.4

 

Medicamentos, válvulas e cirurgias e transplante cardíaco

 

Os cuidados com o coração insuficiente envolvem atenção aos hábitos alimentares, incluindo o controle na quantidade de sódio e restrição a ingesta de líquidos.4 Para se manejar a quantidade de líquidos no organismo o médico pode recomendar o uso de medicamentos diuréticos, que reduzem o edema nos pulmões e pernas, ou outros medicamentos que têm como finalidade atuar diretamente no músculo cardíaco ou corrigir as arritmias existentes.4

 

Outros medicamentos podem ser indicados, por agirem na dilatação dos vasos sanguíneos e, assim, contribuírem com a diminuição da pressão arterial.4

 

Entre as alternativas estão tratamentos que procuram diminuir a frequência cardíaca e melhorar a força das contrações e batimentos do coração e evitar os coágulos sanguíneos.4

 

Quando os sintomas da insuficiência cardíaca pioram ou são muito intensos, atrapalhando o dia a dia dos pacientes, é preciso conversar com o médico para reavaliação do tratamento. Hoje já existem no Brasil diferentes tratamentos para a insuficiência cardíaca, incluindo opções que possibilitam a redução da mortalidade e das hospitalizações recorrentes, entre outras complicações, trazendo mais qualidade de vida para quem convive com a IC.5

 

Além disso, pode ser recomendada a utilização de dispositivos que prestam assistência circulatória aos pacientes, de forma definitiva ou enquanto é aguardada a realização de transplante, indicado como opção para casos irreversíveis.4

 

Estilo de vida

 

Paralelamente aos tratamentos medicamentosos, assumir hábitos saudáveis, tais como controle de peso, prática regular de atividades físicas, controle da pressão arterial, glicemia e do colesterol são essenciais para garantia de um tratamento mais eficaz e também como forma de prevenção à doença.4

 

 

Adicionalmente, dentre as principais mudanças na dieta está a restrição ao consumo de líquidos e sódio (sal) a interrupção do consumo de álcool e do tabagismo.4-7

 

A Sociedade Brasileira de Cardiologia ressalta que a atividade física é elemento fundamental na reabilitação cardíaca. Atividades como caminhadas e exercícios com pesos, orientadas pelo médico cardiologista, podem favorecer tanto o bom funcionamento do coração quanto dos sistemas circulatório, pulmonar e muscular, contribuindo para a recuperação dos pacientes.8

 

Parar de fumar e reduzir o nível de estresse integram as recomendações médicas para auxílio no alívio de sintomas associados à insuficiência cardíaca, bem como para redução do esforço do coração.8

 

Por fim, é imprescindível realizar acompanhamento regular com um médico cardiologista, para avaliação periódica da pressão arterial e identificação de contextos propícios ao surgimento da insuficiência cardíaca.8

 

Hospitalizações por insuficiência cardíaca

 

Um dos dados mais alarmantes sobre a insuficiência cardíaca é o fato de a doença ser a razão mais comum de internação em pessoas acima dos 65 anos de idade, entre todas as doenças cardiovasculares.9

 

Conheça mais detalhes sobre a insuficiência cardíaca em números aqui!

 

A insuficiência cardíaca representa uma carga importante e crescente para a saúde pública, inclusive no Brasil, o que pode ser observado por meio da avaliação dos dados do Sistema Único de Saúde (SUS). De maneira geral, as doenças cardiovasculares são a terceira causa mais frequente de internação no Brasil, sendo que 39,4% dessas internações estão associadas à insuficiência cardíaca.10

 

Além disso, as taxas de re-hospitalização decorrentes da insuficiência cardíaca permanecem crescendo, assim como suas taxas de mortalidade.10,11 Sabe-se, também, que a IC provoca 2-3 vezes mais mortes do que cânceres avançados, como câncer de mama e de intestino.12

 


Referências

1. Mozzafarian D, Benjamin EJ, Go AS, et al. Heart Disease and Stroke Statistics – 2016 Update – A report from the American Heart Association. Circulation 2016 Jan 26; 133(4): e38-360.
2. Zannad F, Agrinier N, Alla F. Heart failure burden and therapy. Europace. 2009 Nov;11 Suppl 5:v1-9.
3. Loehr LR, Rosamond WD, Chang PP, et al. Heart failure incidence and survival (from the Atherosclerosis Risk in Communities study). Am J Cardiol. 2008;101(7):1016.
4. Site no National Heart, Lung, and Blood Institute. How is heart failure treated? Disponível em: http://www.nhlbi.nih.gov/health/health-topics/topics/hf/treatment (Acessado em 07/07/2017).
5. Ponikowski O, Voors AA, Anker SD, et al. 2016 ESC Guideline for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure. Eur J Heart Fail. 2016 May 20.
6. Heart Failure Matters. Adapting your lifestyle. Disponível em: http://www.heartfailurematters.org/en_GB/What-can-you-do/Adapting-your-lifestyle (Acessado em 07/07/2017).
7. Heart Failure Matters. Adjusting your diet: fluids. Disponível em: http://www.heartfailurematters.org/en_GB/What-can-you-do/Adjusting-your-diet-Fluids (Acessado em 07/07/2017).
8. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz de Reabilitação Cardíaca. Arq Bras Cardiol. 2005 May;84(5):431-40.
9. Bocchi EA. Heart failure in South America. Curr Cardiol Rev. 2013 May;9(2):147-56.
10. Healthcare Cost and Utilization Project. HCUP Facts and Figures; Statistics on hospital-based care in the United States, 2009. Exhibit 2.4 – Most Frequent Principal Diagnoses by Age. Disponível em: http://www.hcup-us.ahrq.gov/reports/factsandfigures/2009/pdfs/FF_2009_exhibit2_4.pdf (Acessado em 07/07/2017).
11. Forman DE, Cannon CP, Hernandez AF, et al. Influence of age on the management of heart failure: Findings from Get With the Guidelines–Heart Failure (GWTG-HF). Am Heart J. 2009 Jun;157(6):1010-7.
12. Stewart S, MacIntyre K, Hole DJ, et al. More ‘malignant’ than cancer? Five-year survival following a first admission for heart failure. Eur J Heart Fail. 2001 Jun;3(3):315-22.

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